POEMA-2
Atravesso o jardim, de manhã,
até beber o último trago de névoa.
As estátuas empurram-me com
os seus braços brancos.
Um cisne confunde-se
com um jarro;
mas não sei se o lago
se confunde com ele.
No banco, um fantasma
estende-me uma chávena de café.
No fundo, discutimos ambos
um problema de existência.
É que nem ele nem eu
temos a certeza um do outro
quando a cidade, no Outono,
se veste de nuvem.
NUNO JÚDICE,
in O Movimento do Mundo


Nenhum comentário:
Postar um comentário
Olá!
Como você já percebeu, esse blog pede tempo, atenção e reflexão.
Deixe aqui seu comentário, sugestão, opinião, elogio e/ou critica.
Fiz a opção de moderação dos comentários porque havia... span. Sorry por isso.
No mais... volte sempre, sim?