29 junho, 2009

Os anjos "de carne e osso", encarnados II... e suas ações no cotidiano






Que maravilhosos parceiros eles - "vocês anjos de carne e osso" - são para os nossos anjos da guarda, os espíritos guias, geralmente invisíveis aos nossos olhos... Eles - vocês anjos encarnados, são verdadeiros presentes que aparecem na hora certa, pelo motivo certo e com a função certa, de acordo com o plano e a vontade de Deus para nós... aqui. Uma verdadeira benção!

Eles entram na nossa vida como se fossem uma brisa que sopra no final de uma tarde quente de outono. Dá para sentir esse prazer logo no início!

Sua chegada nunca é casual: eles vêm quando estamos frágeis e/ou quando nos sentimos frágeis... quando nossas forças parecem... sucumbir ao desânimo, à tristeza e ao desalento e... quando o que eles sabem fazer ... nós não sabemos ou estamos desabilitados!

Inusitado é o fato de que eles e elas chegam como "quem está passeando"... porque há uma certa... suavidade no jeito deles. As vezes é um jeito de sorrir, noutras é um jeito de... caminhar, olhar, escutar com ar severo, atento e concentrado; noutras ainda, é... um jeito doce e delicado de... escutar ou falar...
As vezes, também... parecem nem estar ligando para o que (e estão certos nisso, descobri) a nossa ansiedade e nervosismo estão tagarelando, falando (descartam nossa mente cheia de bobagens e fixam sua atenção noutras coisas... que não dizemos...)

Uma leveza que contrasta com o que estamos... vivendo, sentindo, pensando. Mas acho que eles não percebem isso... porque estão noutra sintonia...


Mais uma vez me encontro com eles: os anjos de "carne e osso"!

Continuam divinamente humanos... atendendo pelo nome, quando os chamo.
E continuam humanamente divinos!

Surpreende-me o como e o quanto são diferentes entre si: uns são sorridentes e falantes; outros, sérios e silenciosos; há os que prestam contas de seus fazeres espontaneamente e há, ainda, os que só dão a conhecer suas atitudes quando indagados. Cada um deles, nessa sua diferença é maravilhosamente competente.
Resolvem problemas difíceis e complexos com uma grande simplicidade e com grande determinação. Sabem o quê e quando fazer (cada um na sua "especialidade" - e não no famigerado especialismo...) e fazem!

Parecem não perder tempo com... com o que não precisa.
Parecem habitar um OUTRO tempo e ocupar um OUTRO espaço... neste nosso tempo e espaço!

De que competência falo?
Da competência profissional, pois eles têm diferentes profissões.
Da competência parental, pois eles têm diferentes graus de parentesco comigo.
Da competência amigável: já que alguns são amigos de longa, longa data.
Da competência humana, pois todos tomam atitudes baseados na sua percepção emocional, intelectual e espiritual.
Delícia vocês todos.

O engraçado disso tudo é que a maioria deles nem se quer supõe que eu os veja como anjos: eles não tem consciência crítica disso.
Eles fazem o que devem fazer - e o fazem com maestria - e pronto.
Ponto

Continua a impressionar-me - e por isso friso isso - a capacidade de decisão que possuem: eles e elas parecem sempre saber o que fazer e o fazem com tamanha desenvoltura e tranquilidade... que um poderoso sentimento de confiança me invade...

Claro está que eles sentem ansiedade e medo, até já me "confidenciaram" isso... talvez a melhor palavra seria... compartilharam isso: são humanos (e cometem erros, mas, ao contrário das evidências generalizantes, estão sempre prontos a re-ver suas atitudes e decisões.) E, nessa sua humanidade... são absurdamente divinos, centrados, experientes e competentes.
Um traço comum a todos eles é que sabem dizer NÃO SEI... e o dizem com tanta... naturalidade e "sem vergonha"... que nem dá para se surpreender... pois logo, um tempo depois... eles aparecem com uma resposta. Magia de descobrir... meios, caminhos... respostas práticas e orientantes!

Todo buscador e "iniciado" sabe que isso é... básico... para muito saber... que nada se sabe, ainda que se saiba muito!
Eu os admiro tanto por isso... também!


Claro está que eles resolvem problemas e "destrincham" situações com uma desenvoltura de causar espanto: mostram-se calmos, tranquilos, seguros, pacientes e afetuosos: mais um atributo da sua divindade humana.



Mais uma vez percebo que eles não "escolhem" ser ou estar anjos. Eles "estão" anjos naqueles instantes - com tempo marcado (um tempo cuja variabilidade é diferente em cada situação e para cada um deles e que não é definido por eles, mas por Deus) - e que, nesses momentos... esse "estão anjos" se transforma em "são anjos"... tem duração/durabilidade infinita. Eterna!

Estes anjos, aos quais me refiro agora... são Cuidadores: eles cuidam, velam, acolhem, tomam conta... trazendo conforto, bem estar, segurança e tranquilidade... em situações muito difíceis... mas que, eles e elas... parecem achar fáceis. Seria esse um aspecto da sua humanidade profissional? Ou, seria esse um aspecto divino da sua experiência humana?
Ambas as coisas, penso.

Usam uniforme, manejam instrumentos. Andam "à paizana" e ficam sentados em estado aparentemente contemplativo...
Precisam e fazem questão de mostrar - não todos, pois há, também, os que precisam ser "convencidos disso - que necessitam de "um tempo " para si próprios: momento de recomposição e auto-companhia... desligamento que gera... ligação, sintonia, conexão... depois!

Alguns eu sei o nome, outros não. Como esse é um texto-testemunho e, acredito eu, todo testemunho é pessoal... já que só é possível testemunhar o que vejo, vivo, escuto, sinto, quero dizer que são lindos e belos os seus afazeres e a sua dedicação:

Regina, Clarissa, Grazi, menino anônimo (do oi, dos beijos atirados para mim e do tchau... com direito a nova "saraivada" de ois e tchaus, mesclados com muitos sorrisos...), Marli, Joice, Eduardo, Dani, André, Luciano, Tiago, Cláudio, Natal(ino), Rute (com te), Pompa, Claison, Andréa, Vitor, Lúcia, Tati, inominadas da noite, inominado da noite e mais alguns anônimos...



Cada um deles, do seu jeito único, singular e intransferivel fez e faz muito, ainda que pouco possa lhes parecer... sim, pois há essa questão, também, que os atravessa: uma humildade empertigada que nada mais é do que... dignidade!

Como é gratificante, lindo, gostoso VER isso!

Há, ainda algumas outras características que os denunciam: afabilidade, compreensão, segura tranquilidade, capacidade de decidir com firmesa e, algumas vezes, imcompreensão e intolerância para com o que está mal feito e incorreto: são guerreiros e guerreiras!
Eles levantam as suas espadas e vão corrigir o que os outros deixaram ...

Nessa humanidade-divina e nessa divina-humanidade é que vamos aprendendo... apreendendo... e crescendo como pessoas mortais e espíritos imortais; eternos.

A cada um deles - vocês meus anjos queridos e amados _ o meu muito, muito, muito obrigado!

A minha reverência, o meu afeto, o meu respeito e o meu amor a um outro anjo encarnado, que neste dia de hoje completa 79 anos, meu pai, que do alto do seu vôo QUASE inatingível, está nos mostrando que tudo isso existe... o meu muito obrigado... de todo coração, mente e espírito!




Posts vinculados (e complementares):

1. Psicologia e Vida Livres: Os anjos "de carne e osso", encarnados.. e suas ações no cotidiano.

2. Psicologia e Vida Livres: Ainda Somos Anjos, Jorge Reigada

3. Psicologia e Vida Livres: Clarice Lispector... sobre os anjos

4. Psicologia e Vida Livres: Os anjos e os magos

27 junho, 2009

SUTIL INTENÇÃO, ou uma poesia que fala de amor, da própria poesia, da hipocrisia e do silêncio que se cria





SUTIL INTENÇÃO
( Luiz Gilberto de Barros )

Há que haver amor em cada gesto
Para que as almas se completem,
Para que as angústias se aquietem
Na mudez do amor mais inquieto.

Há que haver prazer no que se faça
Para que a vontade se enterneça
E a solidão desapareça
Na sutil presença que abraça.

Há que haver lirismo na poesia
Para que, no cerne da emoção,
Haja mais vontade que paixão,
Haja mais paixão que hipocrisia.

Há que haver palavra na mudez
Porque assim a dor evidencia
Que todo silêncio que se cria
Flui da mais sublime embriaguez.

Há que haver, na pétala da flor,
A essência leve e colorida
Que possa fazer da própria vida
A intenção sutil de todo amor.


26 junho, 2009

Amor e fantasia ou, A prazerosa ficção





Já sabemos que o amor comporta fantasia.
Amamos o outro com o que nele depositamos, imaginamos, criamos, inventamos. Tornamo-lo...nosso objeto... (esquecendo) que é um sujeito!

O outro, por si só, não basta!
Ele precisa de nós para existir!
Nós... precisamos... de nós... para o amor por ele... existir.

Nessa dialógica da realidade e da fantasia, do eu e do outro, do espaço e do tempo (cuja percepção se modifica rapidamente!), do corpo e do espírito, do desejo (de um corpo-objeto) e do romantismo (de um objeto - qualquer objeto - tomado como corpo), da semelhança e da diferença (de "mim mesmo" e "de todos os outros", do atual e do virtual-real...

vamos ensaiando tentativas de "ser alguém" para o alguém do outro...

vamos experimentando "estar num agora permanente" que afete o outro de forma a buscar reciprocidade... desse afeto-desejo-amor-paixão-encanto-mais-mil-coisas que sentimos...

Se... se, o irredutível outro não aparecer... pode(re)mos "ser felizes"
Se... se, o irredutível outro aparecer... podemos quebrar a cara (e o coração!)
Se... se, a prazerosa ficção não sucumbir ao irredutível outro...
Se... o irredutível outro aparecer e desmontar essa maquínica toda... podemos, mesmo assim... "jamais ficar curados".

Vivas ao romantismo?
Não!
Vivas ao outro que nos coloca constantemente em cheque...
Seria mesmo ele, o outro, o irredutível outro, quem faz tudo isso?
Claro que sim!
Claro que não!

Também nessa dialógica do sim e do não é que vamos ensaiando maneiras de viver nossas diferenças... do outro e de nós mesmos (quem é esse eu que ama... assim?).

...

E... quando esse outro objeto-sujeito e sujeito-objeto não for... irredutível?
Fim da ficção!

Ah, mas tem uma coisa: sempre há algo de irredutível... no outro!
Senão... como tudo isso aconteceria?

Ainda bem que o cheque... não é (sempre!) cheque-mate.



PRAZEROSA FICÇÃO


Abraço o teu abraço sem senti-lo
Na epiderme... sinto-o na alma...
É o teu amor que vem e me acalma...
Tu feres meu silêncio... sem feri-lo.

Eu beijo o teu beijo sem beijá-lo
Nos lábios, beijo só a sensação
Do teu amor... que bom que é guardá-lo
Inteiro... dentro do meu coração.

E nessa ficção tão prazerosa,
Que cria a emoção mais poderosa
Do verdadeiro amor que se extasia....

Meu coração, em sonhos cor-de-rosa,
Descobre a proteção afetuosa
Do teu amor na minha... fantasia.

Luiz Gilberto de Barros


19 junho, 2009

ESTAREI SEMPRE DE PARTIDA, por Jorge Reigada





ESTAREI SEMPRE DE PARTIDA

Jorge Reigada

Porque devo parar no tempo, na vida
Porque deixar de continuar um ser andante
E me estagnar largando o rio errante
Se meu destino final é o mar da despedida?

Portanto, eu quero e estarei sempre de partida
Neste eterno caminho de ida que é a vida.
Que já me deu uma enorme caixa de recordações
Onde guardei frustrações, realizações, paixões...

Futuro? Não sei! Uma folha em aberto
Só tenho de certo o instante. Eu sou um mutante.
Vivo na alegria da surpresa, ideal descoberto
Depois que o medo me petrificou no instante.

Vivas ao novo... Rompi esta casca do ovo
Que não me protegia apenas me tolhia, cegava.
A vida passando enquanto eu esperava
E aguardava o que, a morte? Me livrei do estorvo.

Que me venha o futuro. Que seja eu surpreendido
Pois, minha força esta na forja do meu passado
Já conhecido, vivido, revivido, caminhado e adornado
Com flores murchas pelo tempo já saudado.

Que me venha a surpresa. Ruim ou boa
Que pela vida me cubram o sol ou a garoa.
O brilho iluminará minha parte mais profunda.
E a chuva tornará minha alma mais fecunda.