08 março, 2011

Cristian Ribas: Volto, de modo lento...




Volto, de modo lento e gradual,
no meio do caos, no amargo doce
e no açucarado sal, achando tudo normal
e perdendo o equilíbrio no que parecia ser igual.
Volto a mim mesmo, na beira do abismo
ou no fundo da planície, na ponta dos pés
ou no meio das mãos, carrego a solidão
como minha eterna companhia,
meu guia pra me levar pra algum lado,
não ouvir o que está guardado
e não refletir em você que fui derrotado.

Volto em silêncio, entre mentiras reveladas
ou esquecidos segredos, de paixões dissimuladas
ou amores condenados, com máscaras nobres ou verdades pobres.
Volto porque ainda acredito que sou mais que teu abandono.
Sou o sonho que não se apaga, o amanhã que ninguém ousa
e a realidade que poucos compreendem.

Cristian Ribas


Poema Dos Olhos Da Amada (Vinicius de Moraes / Paulo Soledade)





Poema Dos Olhos Da Amada

Oh, minha amada
Que os olhos teus

São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus

Oh, minha amada
Que olhos os teus

Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus

Oh, minha amada
Que olhos os teus

Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus

Ah, minha amada
De olhos ateus

Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus

* Vinicius de Moraes
/ Paulo Soledade *



O Tempo Passa? Não Passa! (Carlos Drummond de Andrade)



O Tempo Passa? Não Passa! 
Carlos Drummond de Andrade


O tempo passa?

Não passa no abismo do coração
lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.



O tempo nos aproxima

cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.



O tempo é todo vestido

de amor e tempo de amar.
O meu tempo e o teu
transcedem qualquer medida.



Além do amor, não ha nada,

amar é o sumo da vida.
Pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade".





Diz-me... porque já não sei! (Vóny Ferreira)




Diz-me...
porque já não sei!
Vóny Ferreira

Diz-me…
Porque já não sei…!

Se o céu é lá em cima,
Ou se escondeu atrás
de uma nuvem.
Se as gaivotas ainda voam
Ou morrem à beira do cais.
Se fizeram da minha crença
Um mapa indecifrável
De rochedos e vendavais.
Se sou um barco à deriva,
Num mar tempestuoso.
Inexistente…
tortuoso.
Se sou uma andorinha
Que voa sem rumo,
Sem o perfume da Primavera.
Diz-me…
Porque já não sei!


Se me invento nos sonhos,
Como lua sem luar.
Se percorro o horizonte
Como anjo sem altar.
Se choro e o demonstro,
Nas palavras que não digo.
Se falo quando te olho,
Se me encontro no que oculto.
Se nessa fuga desenfreada
Alguma vez me reencontrei!

Diz-me…
Porque já não sei…!


(À minha irmã Graciete)






Poemas no Ônibus em Porto Alegre






Imperativo anatômico 


“Fulano só se preocupa com o próprio umbigo!”
“Sicrano devia cuidar do seu nariz!”
Beltrano, no entanto, percebeu que sempre que tentava olhar 
para o umbigo surpreendia, em meio ao olhar vesgo de quem mira 
um único ponto a curta distância, o seu nariz.
Beltrano, então, virou filósofo e famoso aforista. 
Sua mais conhecida máxima sentencia: 
“Aquele que presta atenção 
ao próprio umbigo, jamais perde de vista o seu nariz”.



Douglas Hugentobler Gimenis







Curso noturno

Quanta lua – meu Deus! – desperdiçada
Quanta estrela – amor! – ignorada

Tanto perfume na noite...
Tanta carícia na mão...

E esses teus lindos olhos
Metidos numa equação!

* Maria Cecília
Consentino Franco *



Contraponto!

Não!
Por favor
Não ria
Não se mova
Não vire
Não estrague
Este momento!

Você
É o poema
Que estou
Lendo!

*João Fernandes
Lucho Melgrejo *



Insight

Fui traída,
re-traída.
Estaria eu distraída?

* Geni Vieira de Oliveira *


Pássaro
Livro
Objeto perfeito
Aberto
Tem asas
Que levam
Ao céu
Do pensamento
* Maria da Graça
Landell de Moura *




Encontro fortuito na manhã fria e teu sorriso incandescente ilumina meu dia.

Inútil tentar esconder meu júbilo quase louco
sonhando

o beijo latente

que poderia acontecer

...daqui a pouco.

* Paulo César
Tórtora *