JORGE DE LIMA (1895-1953)
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E tudo haveria de ser assim, para contemplar-te sereno, ó morte,
e integrar-me nos teus mistérios e nos teus milagres.
Agora vejo os Lázaros levantarem-se
e...
14 agosto, 2011
As invasões bárbaras ou sobre como somos reiteradamente convidados (SENÃO FORÇADOS) a pensar como os outros querem
"A tarefa do intelectual é dizer não ao espírito de rebanho.
Cabe-lhe contrariar o senso comum. A tarefa do político é buscar
novos caminhos que contrariem o conformismo".
Juremir Machado da Silva, em Jornal
(Correio do Povo,13/8/2011
O título dessa postagem, as invasões bárbaras, tomado emprestado do maravilhoso filme homônimo (trailer no final do post) - que é a continuidade do também maravilhoso "o declínio do império americano" , ambos do diretor Denys Arcand - remete a uma variação atual do que se pode chamar como "ditadura do pensamento de direita", ou seja, um tipo de prática disseminada na mídia e nos comportamentos cotidianos que se caracteriza pelo modo linear, cartesiano e produtivista, já que rejeita a crítica, a discordância e a desobediência e propõe a adaptação SEMPRE CRIATIVA aos desafios da vida.
Nesse sentido, encontramos as novas tecnologias da passividade (que induzem à passividade - disfarçada de resiliência e dissimilada com a idéia de aguentar firme e não reagir e, especialmente não resistir, com... outros modos de comportamento) e as novos discursos operacionais que buscam o compromisso das pessoas com a produção e a reprodução dos e das formas predominantes de agir, pensar, trabalhar. Viver.
As invasões bárbaras, como uso o termo aqui, refere-se ao massacre cotidiano a que somos submetidos quando abrimos o email e o jornal que lemos. São textos e matérias, PPSs e todo o tipo de mensagem positivista que induzem a pensar sem raciocinio crítico e que buscam a repetição dos modos operantes e dominantes de utilizar o pensamento, através da repetição tanto dos conteúdos quanto das formas de apresentação em que "são embalados".
Não bastasse isso, ainda há uma espécie de produção de um modo de consciência ingênua que prega a "crítica pela crítica" , ou seja, que relativisa o conteúdo de modo a "deixar passar" aquilo que nele poderia ser fonte de outras formas de pensar e agir.
Ainda está embutida, nesse tipo de engodo, a idéia de que a crítica-por-si-só é sinônimo de criticidade, ou seja, do uso do pensamento crítico como ferramenta de conhecimento, elaboraçõao de hipóteses e confronto de idéias contrárias, algo inerente ao próprio livre pensar e a produção de conhecimento.
Fica em mim uma sensação de mal-estar e de constante estranhamento, como se eu fosse alguém "fora do mundo" - apesar de estar completamente nele.
Fica essa sensação de que subestimam a minha capacidade de raciocinar, de discordar, de avaliar e julgar com premissas e conceitos e sensibilidades diferentes das que eles impõe.
Não bastasse isso, ainda vêm com a assintura de Ph.Ds, tecnólogos do aprimoramento de pessoas e de "gestão de pessoas" e coisas afins.
Que cansaço e que tédio me dá isso!
Na contramão disso tudo, já que há Doutores (comuns e unificados) e doutores (singularizando e diferenciando seu saber e as formas de expressá lo e dele se utilizar), há, no mesmo jornal que lemos, uma atmosfera diferenciada (aqui experessa na citação de Juremir Machado da Silva, acima) que aponta que outros jeitos possíveis de "ser estar" no mundo e na vida... estão ao nosso alcançe... com raciocínio crítico, criticidade e resistência a esses modos de produção "de rebanhos": massas não pensantes que vivem como bois e vacas, olhando para o chão e ruminando "o mesmo" de todos os dias.
Assim sendo, reitero a sensação que estou fora do mundo, DESSE MUNDO de que falam os textos, em azul, abaixo: e esse estranhamento me é muito bom! sentir!
Parte desse estranhamento vem com o que estou escrevendo aqui e, parte, com o fato de eu não ter ido ao google para ver quem são e o que fazem os autores (todos com reconhecimeto profissional e valorizados pelos seus fazeres profissionais) dos textos em azul: o que eles escreveram já me basta para VER o quão distante e discordante deles eu me sinto, posiciono e vejo.
Defendo o raciocínio crítico, a impessoalidade e a capacidade de discordar e questionar como elementos componentes da "minha esquerda" (Edgar Morin) e do meu modo de ser na vida.
Não que essas invasões bárbaras não me afetem...
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"Resiliência é o termo que descreve as forças psicológicas e
biológicas que nos permitem superar com sucesso as mudanças
ocorridas na vida e a nos sentir mais preparados para enfrentar
desafios futuros. É o que nos ajuda a lidar melhor com situações
estressantes, pois é preciso que os processos fisiológicos do
corpo humano, ativados pelo stress, funcionem bem nas mais
diversas situações. Afinal, a resistência às mudanças é um
fenômeno universal. Agindo de forma resiliente, conseguimos fazer
com que o stress seja uma força a nosso favor e não contra nós".
(Correio do povo, 14/08/2011)
Palavras de Jorgi Matias Lima, palestrante e instrutora de cursos
nas áreas de Gestão de Equipes, Liderança e Coaching, tema
abordado nos workshop que realiza em empresas de todo o Brasil e,
no RS, com a Universidade Feevale.
Vejam bem: nosso corpo e suas funções fisiológicas precisam ser bem submetidas aos interesses da produtividade e do forçado bem estar para enfrentar os estresses da vida: um outra maneira e mais atual de mostrar que os "corpos dóceis" (Foucauld) da sociedade disciplinar sobrevivem na sociedade de controle (Foucauld e Deleuze).
Já não podemos sofrer e PRECISAMOS enfrentar o estresse de peito aberto, vontade inquestionável de subvertê-lo e, ainda, ficar bem o tempo todo.
Ora, aqui se pode pensar a resiliência como "o cuidado de si", como nos disse Foucauld, mas, agora sim, de um jeito muito diferente...
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Resiliência em dez dicas
Um profissional resiliente, quando submetido a situação de
estresse, a administrará de maneira sensata, sem impulsividade,
visualizando o problema como um todo. Essa capacidade certamente
lhe propocionará forças para enfrentar a adversidade e o tornará
capaz de apresentar soluções criativas e eficazes.
A boa notícia é que todos nós podemos nos tornar resilientes.
Seguem algumas dicas:
• Mentalize seu projeto de vida, mesmo que ele não possa ser
colocado em prática imediatamente. Sonhar com seu projeto é
confortante e reduz a ansiedade;
• Pratique esportes e métodos de relaxamento e meditação para
aumentar o ânimo e a disposição. Os exercícios aumentam o nível de
endorfinas, hormônios que proporcionam sensação de bem-estar;
• Procure manter o lar em harmonia, pois este é o "ponto de apoio”
para recuperar-se;
• Aproveite parte do tempo para ampliar os conhecimentos, pois
isso aumenta a autoconfiança;
• Transforme-se em um otimista em potencial;
• Assuma riscos (tenha coragem);
• Apure o senso de humor (desarme os pessimistas);
• Separe bem quem você é do que você faz;
• Use a criatividade para quebrar a rotina;
• Permita-se sentir dor, recuar e, às vezes, flexbilizar para em
seguida retornar ao estado original.
Lembre-se, resiliência é a arte de transformar toda energia de um
problema em uma solução criativa.
Destaque-se, seja resiliente!
Leonardo Soares Grapeia
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Resista A Necessidade de Criticar
(Richard Carlson, Ph.D.)
Quando julgamos ou criticamos outra pessoa, não são os seus
defeitos que estamos denunciando, mas o nosso: a nossa necessidade
de sermos críticos.
Se você costuma ir a encontros e ouvir críticas que normalmente
são levantadas em relação ao comportamento de outros, e depois vai
para casa e pensa a respeito do bem que essa prática fará para a
tentativa de tornarmos este mundo um lugar melhor, provavelmente
chegará à mesma conclusão que eu: Zero ! Nenhum bem.
E não é só isso.
A crítica não só não resolve nada, como contribui para a irritação
e a desconfiança em relação ao nosso mundo.
Afinal, ninguém de nós gosta de ser criticado. Nossa relação
normal à crítica é nos tornarmos defensivos ou desencorajados. Uma
pessoa que se sinta atacada, normalmente tem duas reações: ou
retrocederá, por medo ou vergonha, ou atacará e irromperá em
raiva. Quantas vezes você criticou alguém e ouviu a seguinte
resposta: " Muito obrigado por apontar minhas falhas, eu realmente
apreciei sua contribuição?"
A crítica, como xingamento, nada mais é que um péssimo hábito. É
algo que nos acostumamos a fazer: somos íntimos da sensação. É
algo que nos mantém ocupados e nos fornece assunto para conversas.
Se, no entanto, você ocupar um minuto observando de como realmente
se sente logo após criticar alguém, perceberá que fica um pouco
abatido e envergonhado, um pouco como se fosse você a pessoa
atacada. O motivo dessa sensação é que ao criticarmos, fazemos uma
declaração ao mundo e para nós mesmos: " Preciso ser crítico ".
Não é algo que tenhamos em orgulho em admitir.
A solução é perceber o momento em que estamos sendo críticos.
Perceba quantas vezes você costuma ser crítico e como se sente
mal. O que eu gosto de fazer é transformar tudo num jogo. Eu
ainda me pego no ato de ser crítico, mas quando sinto o sentimento
aflorando, tento me lembrar, dizendo "Aí vou eu , de novo ".
Por sorte, consigo transformar, na maior parte das vezes, minha
crítica em tolerância.
Isso aqui me deixou tão anestesiado que nem consigo escrever nada.
O texto fala por si só e, vejam, como há uma concepção negativa da criticidade
e como ela é pessoalizada e transformada em "ferramenta do mal",
já que visa destruir e não des-cons-tru-ir.
Finalizando:
“... estamos sendo, sem medo de gastar este
sentimento infinito de ondas do mar...”
Clarice Lispector
.....................
Por mais que se tente dizer o que se vê,
o que se vê jamais reside no que se diz.
M. Foucault
A pintura é poesia silenciosa,
e a poesia, pintura que fala.
Simónides de Ceos
Video trailer: As Invasões Bárbaras
11 agosto, 2011
Oficina: Ser e não ser - metáforas do desassossego pela lente de Fernando Pessoa
Ser e não ser - metáforas do desassossego pela lente de Fernando Pessoa
O que queremos?
- Conectar com a intensidade dramática dos textos de Fernando Pessoa;
- Associar poesia e vida na produção de múltiplos sentidos de existência;
- Estimular a percepção de que conhecer-se e (des)reconhecer-se também é autoconhecimento;
- Acionar intensidades nos acontecimentos transitando entre a realidade e a ilusão;
- Estabelecer diálogos entre o singular e o plural buscando conexões entre as várias configurações do eu.
Como?
Através de leitura de textos e produções de Fernando Pessoa
buscando ativar intensidades nas vivências e dinâmicas grupais.
Quando?
Em dois encontros nos dias 17 e 24/09/11, sábado,
das 9:00h às 12:00h e das 13h30min às 16h 30min.
Onde?
Miguel Tostes, 998, cj. 24, esquina c/ Protásio Alves.
Valor do investimento:
R$ 150,00 (cento e cinquenta reais)
Coordenação:
Psicóloga Maria Pompéia Muscato
Psicólogo César Ricardo Koefender
Local
Instituto Pichon-Rivière de Porto Alegre
Rua Miguel Tostes, 998, cj.24, Bairro Rio Branco
(esquina c/ Protásio Alves)
POA - RS. Fone/fax (51) 3331 7467
contato@pichonpoa.com.br
20 julho, 2011
Dia do Amigo, ou... SOBRE AS AMIZADES
Os amigos vêm, vão, ficam, retornam e se vão.
Me explico: a ideia tão difundida e repetida de que "amigos que são amigos de verdade" não nos abandonam, traem, machucam, agridem, dissimulam, não tem eco dentro de mim.
Amigos fazem as mesmas coisas que todo mundo faz: familiares, vizinhos, colegas, funcionários, patrões, clientes, desconhecidos....
É da humanidade dos amigos se perderem e se acharem - deles mesmos e de nós também!
Assim, amizades permanecem, continuam e terminam., recomeçam ou começam de uma forma completamente inédita - as vezes com os próprios amigos. Quero dizer: uma nova amizade começa dando lugar a ou outra que se foi.... com o mesmo amigo. Um alento!
Também considero que amigos são amigos, mas nem sempre ESTÃO amigos.
Também considero que amigos ESTÃO amigos, mas nem sempre SÃO amigos.
É precisamente nesse duplo ser e estar que se configuram os território afetivos que dão surgimento a tantas e tão variadas expressões afetivas que desembocam em encontros e desencontros: amigos reais, virtuais e virtuais-reais.
O que é real?
O que é virtual?
Por vezes... os ditos amigos reais estão tão distantes (ausentes) que nem sabem e nem acompanham cenas e cenários da nossa vida.
Por vezes... as amigos ditos virtuais estão tão próximos (presentes) que acompanham cenas e cenários da nossa vida.
Volto a perguntar:
O que é real?
O que é virtual?
A realidade da amizade é composta pela conjunção dos pensamentos, sentimentos e práticas que dão sustentação a essa complexa - e simultaneamente simples - relação humana, que é linda, encantadora, prazerosa, estimulante e fonte de muitas e infinitas descobertas e aprendizagens.
Os diferentes tipos de amizade possíveis é algo que me provoca constantemente o pensamento e afeta os meus mais intensos sentimentos: amigos íntimos, amigos na Internet - os só virtuais (importante definir: aqueles com os quais não tenho muita ou quase nenhuma intimidade, mas que se mantém como fonte de trocas e constância de presença em páginas e redes sociais, os virtuais-reais, os amigos ocasionais, os ligados a diversão, lazer... os de papos infindáveis sobre as coisas da vida e a vida das coisas... dentre outros, impossíveis de definir.
Também gosto muito da noção de atitude amigável, ou dito de outra forma, a amizade como modo de vida (tem postagens nesse blog com essa temática e você pode achá-las usando o mecanismo de pesquisa... lá em cima `a direita): aquela que se caracteriza por comportamentos e sensibilidade que ESTÃO presentes em diferentses tipos de relacionamentos... embora não SEJAM amizades e nem amigos no sentido usual que se dá a essa palavra.
Assim.... atitudes amigáveis em relação ao entregador de gás, ao porteiro, ao caminhante na rua, ao vizinho, enfim... uma espécie de amor ligado a humanidade de cada um (e não à concepção de humanismo!).
Só para terminar, quero dizer que AMIGO é uma palavra que se conecta a algo identitário e, portanto, ligado ao SER. Numa lógica binária o amigo É ou NÃO É amigo. Ponto final.
Na lógica que eu uso na minha vida, o amigo pode ser-sem-estar-sendo (num determinado momento da linha de tempo) amigo. E o 'amigo' pode estar sendo-sem-ser amigo.
Nessa lógica - tecnicamente chamada de "o terceiro incluído" - está presente e contemplada a contradição e o princípio da incerteza, duplas essas, que são condições de existência das possibilidades de se lidar com as mudanças... com menos sofrimento, dor, resistência e frustração, algo que definitivamente é responsabilidade nossa e de cada um.
Ainda quero dizer que a palavra AMIZADE é algo que se conecta - NOS CONECTA- à estados não-identitários, ou seja, nos coloca com possibilidades virtualmente presentes de estabelecer afetos e afecções e sensações com outras pessoas de uma forma mais livre, responsável, humana, respeitosa e em movimento permanente, já, agora, longe dos blocos monolíticos do absoluto "é ou não é"... amigo!
Que ninguém se iluda: amigos e amizades estão em permanente relação dialógica, tanto nos afetos, quanto nos conceitos, quanto nas práticas... e é, precisamente isso, que faz com que eles tenham sabor tão... doce, acridoce e salgado, eventualmente amargo.
O sentimento de amizade é muito superior à identidade do amigo e à identidade de amigo.
A amizade pode ser 'eterna', mas o amigo não. Por que?
Porque a amizade precisa do amigo para existir, enquanto prática de reposição do papel identitário amigo.
Assim, se o amigo não está presente e/ou não está exercitando esse papel e essa identidade... sobrou amizade e faltou amigo. Uma questão complexa...
Mais uma advertência (rsrsrsrs): que ninguém se iluda pensando que eu sou amigo de todo mundo ou tenho atitudes amigáveis com todos 'o tempo inteiro': também me permito os movimentos de SER E ESTAR!... e sou bastante seletivo e criterioso nas minhas, por assim dizer "seleções".
O melhor de tudo é quando escolhemos e somos escolhidos para ser e estar amigos: uma benção!
Os anjos da guarda - aqueles mesmo, os invisíveis - e os anjos de carne e ossos o sabem (esses últimos também emergem sendo-sem ser (anjo) e estando-sem ser (anjo): outra benção!
E, ainda resta a memória, mesmo quando amigos e amizades se foram - quer pela morte, quer pela distância geográfica, quer pela distância da intimidade e presença que existiu.
Aos meus amigos de todos os tempos e em diferentes espaços o meu agradecimento e gratidão pelo que me deram (dão) e me possibilitaram (possibilitam) dar E receber: outra benção!
Um beijo e um abraço.
Para comemorar, dentre outras coisas, comprei angélicas - cujas fotos ilustram essa postagem -, flores de perfume intenso e pronunciado, incomuns e lindas... como muitos de vocês.
Feliz dia do amigo e feliz amizades!
Cesar R K
14 julho, 2011
Amanhã, 15 de julho: Dia do Homem, uma data para não ser comemorada.
Mais uma data para o comércio e para a mídia se refestelatem e conseguirem alcançar seus intentos nefastos e dissumulados, gerando desejos, bens de consumo - materiais e imateriais - consumíveis na forma de alienação subjetiva, já que a intenção é de fazer parecer que nessa comemoração há uma equivalência, uma
similutude, uma paresença com o dia da mulher, quando não há nehum.
Porque não há?
Muito simple: o masculino é hegemônico, ou seja dominante.
São os homens que dominaram toda a história da humanidade no campo político, social, intelectual, religioso e, até mesmo, no familiar pois, embora as mulheres cuidassem dos afazeres domésticos, sempre
foram os homens que mandavam e obrigavam elas a fazerem os abortos
para seus filhos indesejados; sempre foram os homens que controlavam o dinheiro e seus usos; os homens é que davam a palavra final sobre a esmagadora maioria das coisas que afetavam
todos os componentes do grupo, fossem eles, mulheres e crianças, idosos e empregados. Os homens é que são os patrões, dentro e fora do trabalho
Foram os homens que fizeram as revoluções, as guerras e exerceram seus domínios não só sobre países, culturas e relações profissionais, políticas e sociais, mas, também sobre as familiares, sobre as mulheres, as diferentes faixa-etárias, etc.
Muitas vezes esse poder foi exercido de forma brutal e autoritária, sem dissimulações e mostrando sua cara violenta de maneira bem clara.
Hoje isso ainda acontece.
O homem e seu correspondente gênero masculino continuam hegemônicos, mas agora, já não de forma majoritariamente visível e explícita, mostra-se, portanto, dissimulada, num clima de semi-invisibilidade, pois os discursos politicamente corretos e a legislação, que pune - ou tenta punir - estão na ordem do dia, produzindo, a primeira, hipocrisias sempre reinventadas e mentiras completas e, a segunda, ou seja a legislação, tenta coibir os abusos, já que essa dominação está longe de terminar, mesmo com o avanço das leis de proteção aos excluídos, da maior e melhor conscientização das vítimas, da ocupação de cargos
públicos e profissionais por mulheres, etc...
A hegemonia masculina não se dá só mediante o controle de países pobres pelos ricos, de patrões sobre empregados, mas de homens sobre mulheres,, crianças, velhos e, também, de homens brancos sobre todos os negros - homens incluidos - , agora afro-descendentes.
A maioria dos assassinatos, crimes passionais, viôlencia com agressôes físicas e verbais, abusos morais e sexuais, estupros e discriminações continuam sendo feitas pelo homem-gênero-dominante.
Comemorar o Dia do Homem, portanto, nesse contexto, é não só indesejável como completamente vergonhoso.
Dizer que se quer e está comemorando o "novo homem" que está surgindo e que cuida dos afazeres domésticos, participa na educação dos filhos, respeita os subordinados e, enfim, tem sensibilidade... é um engodo, já que esse novo homem não está pronto e não possui uma identidade reconhecida e identificável
pela esmagadora maioria dos homens.
Assim, comemorar esse dia porque-se-comemora-o-dia-da-mulher é absolutamente midiático e sem conexão com os movimentos de transformação da sociedade.
Talvez se pudesse comemorar o dia dos homens (com h minúsculo) e das mulheres (também em minúsculo), pois que há diferentes e singulares jeitos de ser homem e mulher que não passam pelos jeitos aludidos pela mídia e pela reprodução do hegemônico.
Mais isso é muito para a mídia-que-não-sabe-pensar-diferença.
Falando em mídia, dois exemplos recentes.
Num, há uma apresentação de teatro onde um casal aparece assistindo o final da peça sob grande aplauso do público quando três carros aparecem e se colocam de forma apoteótica para "receber os aplausos".
A mulher se vira e vê, para seu espanto, surpresa, choque, o companheiro - um homem - chorando emocionado com o carro e sua performance. Patético.
Noutro, nas ondas do rádio (que eu trasncrevo abaixo) lê-se algo no site da emissora que parece ser impossível de estar acontecendo, tamanha a aberração.
Confira por você mesmo:
"Dia 15 de julho é o dia do homem no Brasil. Por isso a Ipanema e a
Homem Company vão fazer um cara virar patrão. Quem responder
melhor a pergunta "O que significa ser homem no século XXI?" vai
comemorar sua testosterona com uma roupa nova da Homem Company,
uma camiseta da Ipanema, vai poder entrar na melhor festa do dia,
a Folharada, com direito a CINCO acompanhantes mulheres e ainda
levar um passaporte Opinião pra fazer noite todas as sextas até
março de 2012 de barbada, com acompanhante! Não coube na frase,
mas tem mais. O Homem ganhador vai conhecer o estúdio da Ipanema e
receber o prêmio aqui, no ar, com a Carol Reque.
Trabalha, lava a louça, tira a sombrancelha, escuta rock, acampa,
fica em casa cuidando da criançada, assiste futebol e toma ceva?
Sê homem e responde a pergunta! Quem é o homem do século XXI? Não
esquece de incluir teu telefone na resposta.
O Vale-Presente da HOMEM COMPANY será de 01 (uma) Jaqueta Homem
Náutica e 01 (uma) Calça Homem Náutica."
Link no site da emissora:
http://ipanema.uol.com.br/promocoes-interna.php?P=37
Resolvi participar e escrevi a seguinte resposta:
Significa resistir a "esse estado das coisas" e desenvolver atitudes críticas e ações solidárias que combatam todos os preconceitos e, nesse caso particular, a ideia de comemorar com
CINCO mulheres, e assim, bancar o machão-de-plantão-que-ganhou-a promoção!
Significa saber que o mundo precisa de homens e não de machos, ou seja, ser homem no século XXI é abdicar desse lugar de onipresença do masculino estereotipado e dar abertura para o fluxo de devires... amando mais e melhor não só as mulheres, mas a humanidade toda.
Significa, ainda, questionar o texto dessa promoção e colocá-lo no contexto de sua criação e em relação à Ipanema FM, uma rádio que escuto faz muitos anos e que tem, também historicamente, um papel combativo e alternativo...
"O mundo mudou".
E a Ipanema... também?
Pra finalizar, quero dizer que isso, vindo da Ipanema FM, só pode ser provocação - uma forma de atiçar os ânimos e provocar indignação e reações... já que essa rádio é historicamente alternativa, crítica e combativa das formas dominantes; como o próprio Rock, o estilo, (genero?) musical que mudou o mundo para sempre com seu estimulo e prática absolutamente revolucionários no campo social, cultural e da constituição da subjetividade.
13 julho, 2011
Dia Internacional do Rock: o mundo mudou depois dele... para sempre!
Dia internacional do Rock, um gênero musical que chegou para
mudar o mundo. E mudou!
Defendia o amor livre, a paz entre as pessoas e os povos.
Cultuava a informalidade, a expressão do corpo e dos afetos
estimulando uma leitura crítica da realidade e do cotidiano com
ênfase no presente.
Tudo isso continua atual e indispensável.
Minha homenagem passa pelo meu gosto pessoal...
faltou umas 5 mil músicas e muitas bandas e solos... rs
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