21 junho, 2010

O inverno chegou.




O outono se despede.
Chega o inverno.
Até o ano que vem, meu amado.


Bem vindo, meu (outro) amado amante.


Oficialmente ele chega amanhã.
Oficiosamente, e de fato,
como quase sempre acontece,
ele já chegou:
Aqui 9 graus centígrados
e des-cen-do.




20 junho, 2010

Uma certa magia no ar...




Há uma certa
magia
no ar.

Será que é
por que
o signo
de câncer
vai entrar?

E fazer
as emoções
aflorar?





Relendo Saramago, por Gaiô




Minha amiga Cida, 
com seu "Relendo Saramago" 
faz o convite incessante 
à renovação do social.
Um social que passa pelo íntimo e que é coletivo.
Também é espiritual e afetivo.
Um "transformar" que já se vê 
em fragmentos de eletivo, reflexivo: 
meditativo, contemplativoativo e efetivo.




Outra leitura para a crise
Abril 7, 2009. José Saramago

A mentalidade antiga formou-se numa grande superfície 

que se chamava catedral; agora forma-se noutra grande 
superfície que se chama centro comercial. 

O centro comercial não é apenas a nova igreja, a nova catedral, 
é também a nova universidade. 

O centro comercial ocupa um espaço importante na formação 
da mentalidade humana. Acabou-se a praça, o jardim 
ou a rua como espaço público e de intercâmbio. 
O centro comercial é o único espaço seguro e o que cria
 a nova mentalidade. 
Uma nova mentalidade temerosa de ser excluída, temerosa da expulsão 

 do paraíso do consumo e por extensão da catedral das compras.
E agora, que temos? A crise.
Será que vamos voltar à praça ou à universidade? À filosofia?


Relendo Saramago

O espaço da praça, bem que de volta eu queria
onde a vida acontecia à volta da catedral.

Os jardins, toda gente circulando tão normal,
ocupando espaço público, em bancos de contemplar,
o azul, o verde, a brisa, a mente, a prosa,
os pássaros, o sorriso, intercâmbio da alegria,
com pessoas se encontrando no prazer
de relaxar, viver e conviver...

No lugar da catedral, onde tudo acontecia,
algo estranho aconteceu,
novo perfil se estendeu.

Desse espaço de humanismo,
nova mente compulsão formatada no consumo,
se estendeu. Virou centro comercial o coração.
Tudo se aprisionou.

Tomou conta do espaço, o consumo tentação,
Foi entrando pelos olhos, nos ouvidos e nariz,
tomou conta dos sentidos, toda a mente do indivíduo,
temeroso de exclusão, de expulsão do paraíso
de comprar, consumir, de ter mais por mais não ser.

Tendo em vista a nova crise, o consumo perde espaço,
novo risco a arriscar interroga o mercado que desaba em aflição.

Há no ar acontecendo novos jeitos, que não quero especular.

Quero a crise que questione, desinstale, que coloque no lugar,
o que é justo a cada ser no espaço da catedral,
Cada qual com seu espaço alternativo de viver...

Nova praça, nova escola, novo tempo em saber me quero ver.
Quero sonhos, quero amar com todo o mundo ser feliz,
filosofo em meu querer...Novo jeito de entender,
Transformar.

Gaiô.


Publicado no Recanto das Letras em 20/06/2010
Código do texto: T2330988

19 junho, 2010

Os fractais, arte e beleza e as perguntas...




Porque


Eu gosto


Dos fractais


E da


Teoria do Kaus.


Boa Noite...


Ou então...


Boooommmmm dia!


Uma complexidade em ação:
A dos fractais 
E a da passagem do tempo.

Como você passa o seu tempo?
O tempo passa por você?

Estuda?
Cria?
Faz arte ou a arte faz você?
Se droga?
Trabalha?
Ama?
Acredita?
Faz algo para tornar sua vida melhor e mais digna?
Mesmo?


17 junho, 2010

Os aprendizes falam sobre o "Estado fugaz de plenitude"...





- Reger a sinfonia da própria existência!
Eis um estado fugaz de plenitude.

- Um estado fugaz de onipotência infantil!
Nem tão fugaz!

- Sentir que tudo pode, vê e entende!

- Bipolar. Maníaco. Louco.

- Fruto de longas aprendizagens.

- Frutos da sua mania de perfeição!

- Só posso supor, pelas sua palavras, 
que você nunca sentiu nada disso!

- (Silêncio). Imagino que ainda queira mais!

- Claro. Mais tempo... sentindo isso tudo. 
Assim!

- Você fala com as palavras grandiloquentes 
do mago. E... com desejo de absoluto.

- Você fala com as palavras do cético acólito,
que tudo enquadra nas referências dominantes.
Preste atenção: eu usei a palavra fugaz.

- Só por que disse que você é louco?

- Não. Porque considera que a sua é a única verdade.
E porque acha que magia e saber comum não podem 
andar juntos. Porque considera que não pode haver
momentos mágicos na e a propósito da ciência.

- Não me venha com aquele papo de que existe magia
na descoberta e no fazer científico.

- A magia existe, quer você acredite nela ou não. 
Como acha que foram descobertas as estrelas e 
o movimento dos planetas?  Pela simples observação!
Uma curiosidade infantil a proporcionou.
E não era onipotência infantil do cientista observador!

- Sim, eu sei.  Agora podemos encerrar esse primeiro ato.
Pausa e intervalo. Só me diga: Você desacredita na onipotência 
infantil que atravessa os adultos? E os faz ficar "cheios de si"?

- Ohh, claro que não. Ela existe e não tem vinculação nenhuma 
com a magia. E a magia da qual falo não é essa que você aprende 
nos rituais e manuais.... com o nosso mago-mor...

- Eu aprendo!?!

- Ok. Nós aprendemos.
Estou falando na magia da vida, aquela em que sentimos 
e percebemos coisas que, nem sempre podemos explicar e entender.
Embora, passado o momento fugaz, possamos fazê-lo... e bem!

- Acho que você está muito metafísico.

- Estou feliz e em paz. É diferente.

- Não concebo como a paz pode trazer experiência de delírio e idéias tão... 
megalomaníacas de reger a existência.

- Para um aprendiz de mago, você está muito fixado na idéia de destino!

- Nem falei em destino.

- E precisa? Usar a palavra?

- Você não quer parar com essa discussão.

- Você me provoca. E sua provocação me soa tão doce que 
parece mel com cerejas! Uma delícia.

- Horrível.  Doce demais.
Uuiii, chega a me dar arrepios!

- De prazer?

- Não me provoque. Você sempre teve gosto pela polêmica.

- Sim, e você sempre a desperta e acirra... com esse seu estado 
de ceticismo generalizado. Com essa sua mania de duvidar de tudo que ...
foge aos seus quadradinhos!

- Acha mesmo que eu sou tão enfadonho? Formal? Cético?

- Só quando o deseja. E nisso, você é um belo sparring.

- O seu atrevimento não conhece limites. 

- E a sua capacidade de assumir esse papel, também não!

- Que papel?

- O de sparring!

- Isso está parecendo uma conversa entre a esfinge e a pirâmide.

- Sim,  mas elas são muito onipotentes. Cada uma a seu modo!

- Infantis também?

- Acho que não. São... contundentes e antagonistas.

- Não é esse o papel do sparring?

- Agora você me lembrou a Bellonda, de Duna.

- Aquela chata. É mesmo. Está certo. Sou mesmo um sparring 
à altura da nossa busca de aprendizado. Até mesmo a Reverenda Madre
sabia que Bellonda teria algo a contribuir.

- Bellonda era fascinante no seu ceticismo cínico e questionador.
Tinha muito de aparência, nisso.
Tal como você!

- Seu humor é contagiante! Vamos rever a conversa daquelas anciãs?

- As de Duna?

- Não. A Esfinge e a Pirâmide!

- Sim, vamos. Mas não esqueça... é o intervalo. Retomaremos.

- Certamente.


(De "Conversa entre aprendizes 
do grau sétimo da cor azulada." p. 627)