27 agosto, 2010

Hora do cansaço, por Carlos Drummond de Andrade, ou sobre o fim do desejo de absoluto, calçando vampiros.



HORA DO CANSAÇO*

As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nós cansamos, por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho de eterno fica esse gosto ocre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.

*Carlos Drummond de Andrade


Amor eterno: Drácula.
Bram Stoker




Música: Wojciech Kilar 


Fim do desejo de absoluto.



Música: Vampire Hunters

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Se o amor não é eterno...
Será que podemos dizer que 
AMAR é 
eterno?



AMOR ETERNO, por J.R.Cônsoli ou Variações sobre o desejo de absoluto, de novo.




AMOR ETERNO
J.R.Cônsoli

Amei-te tanto e tão perdidamente,
que, por amor, morri vezes na vida ...
E o fiz com tanta fé e intensamente,
Que tudo o mais passou sem ter guarida.

Os versos( todos) que te ofertei
foram flores: jasmins e margaridas...
As muitas flores que te presenteei,
foram versos de amor, minha querida!

E nos amamos tanto, e com tal monta
que muitas vezes não nos demos conta,
dos momentos felizes que passaram.

E ao fazê-lo com tanta intensidade,
nossos corpos em chamas transmutaram,
viramos luz por toda a eternidade.




Donna Summer: Once Upon a Time

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Variações sobre o desejo de absoluto.

Quem não quer um amor eterno, que dure... para sempre?
Em nome dele, apareceram as "caras metades", 
o outro lado da laranja, as almas gêmeas!

Imaginem: um amor, o mesmo, por toda a eternidade!
Que tédio! Que cansaço!

Seria possível amar alguém assim, como toda essa volúpia?
Desejante, sempre, de continuidade?
E mais continuidade... para sempre?

Para sempre é muito tempo-de-duração-do-tempo!

Que se esteja apaixonado vivendo-essa-intensidade, ok.
Que se sinta que esse afeto-todo é eterno, ok.
Que se imagina que isso tudo seja possível, ok.
Um amor humano-demasiado-humano.

Mas, procurar, esperar e ter "fé" de que 
a tão falada alma gêmea apareça... é um pouco demais, não é não?

Se é alma gêmea, como pode aparecer?
Já não devia ter aparecido?
Que tempo há entre uma coisa e outra?

Se somos espíritos imortais, como podemos
amar para sempre só uma e a mesma pessoa... 
para todo-o-sempre-da-duração-dos-infinitos-tempos-eternos?

Romance sempre dá ibope.
Fantasias de eternidade do desejo e da prática amorosa e sexual... também.
Mas, para além, aquém e dos lados disso tudo, existe a duração.
Duração de um tempo não medido no absoluto,
 mas que tem VIRTUALIDADE de absoluto.

Um tempo que existe enquanto tempo mesmo da eternidade do momento,
do sentimento, da sensação: uma política de intensidades corporais,
 incorporais e indizíveis que variam ao infinito.

Mais desejo de absoluto?
Não.
Desejo de tempo de duração sabido como finito.
Aceitação da finitude (sonhada, romanceada) DESSE eterno.
Um absoluto recortado pelo relativo.

Um relativo do absoluto?
Um absoluto do relativo?

Amo de paixão esse tema!
Forever... (?)

26 agosto, 2010

Yes (we can): Onward and Hearts






YES - Onward
(Chris Squire)


Contained in everything I do
There's a love, I feel for you
Proclaimed in everything I write
You're the light
Burning, brightly

Onward through the night
Onward through the night
Onward through the night of my life

Displayed in all the things I see
There's a love you show to me
Portrayed in all the things you say
You're the day
Leading the way
Onward through the night
Onward through the night
Onward through the night of my life

Onward through the night
Onward through the night
Onward through the night of my life 



YES - Hearts

Set your heart sail on the river
Look around you as you drift downstream Hearing
Pouring souls into the ocean Talking
Take account of all you've seen Love you

One people - Together
Freedom for today
So easy the future
So see the children's way

Love me
Teach me
Know me


One people - Together
Freedom for today
Tomorrow forever
So see the people's way

Many moons cascade one river
They light from side to side
As we cross in close proximity
Like rivers our hearts entwine

How we talk - How we teach our children
How we move - We direct our eyes
All the senses tuned discovery
As and as and when our hearts decide
Be ready now - Be ye circle
Be the central force ye life
As the game extends the cycle
Be ready to move

One heart's for love Hearts
One's for giving Sailing down the river
Two hearts are better Hearts
Than one Throwing out a line
I hearing it Hearts
I living it
I believe in it Sharing out your fortunes
Two hearts are better Hearts
Than one In and out of time

Hearing - Talking - Yes I - Love you

Solo

One heart's for love Hearts
One's for giving Sailing down the river
Two hearts are better Hearts
Than one Throwing out a line
I hearing it Hearts
I living it
I believe in it Sharing out your fortunes
I loving it
Two hearts are better Hearts
Than one In and out of time

Who would believe you - Wise men do
Days that we knew it clear with you
You sing the answers question time
Now it you need me let our hearts entwine
Let our hearts entwine

Hearts - Sailing down the river
Hearts - Throwing out a line
I hearing it - I living it - I believe in it - I loving it

Hearts
Two hearts will always be
In and out of time

Solo

One heart's for love Hearts
One's for giving Sailing down the river
Two hearts are better Hearts
Than one Throwing out a line
I hearing it Hearts
I living it
I believe in it Sharing out your fortunes
I loving it
Two hearts are better Hearts
Than one In and out of time

As we flow down life's rivers
I see the stars glow - One by one
All angels of the magic constellation
Be singing us now





21 agosto, 2010

HORSERTAIL FALL, ou sobre o fugaz e a espera.




HORSERTAIL FALL

Localizada no Parque Nacional 
de Yosemite, Califórnia (EUA)


Aparece apenas entre o fim do Inverno 
e o início da Primavera.


A cachoeira tem como tela de fundo, 
uma impressionante parede 
de granito que, com luz e hora certa, 
proporciona fotos incríveis.


Ela aparece em alguns dias de fevereiro, 
quando o céu está claro e os últimos raios solares 
do dia caem de forma 
especial sobre a cachoeira,iluminando 
suas águas com 
um brilho dourado, ganhando 
uma aparência de fogo.


O espetáculo que não dura mais de um minuto
Fugaz e Lindo!

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Rápido, fugaz: naquele momento.

Interessante é vermos que, na nossa natureza
humana também tem coisas que tem um tempo
para acontecerem.
Passou aquele tempo, que nem sempre sabemos precisar,
não acontecerá mais ou, só depois de um "outro" certo tempo.

Para ver é necessário esperar.
Paciência e "estar à postos".
Do contrário... perdemos.

Também é assim com algo que precisamos dizer no nosso tempo,
e ouvir, e ver e vivenciar, senão... passou.
Pode voltar e pode não voltar mais...

Assim como existe a espera-sem-espera,
existe, também, a espera-com espera: uma urgência!
Necessidade de que algo (ou então... "exatamente aquilo" 
emerja, de emergir,vir à tona...)  fique visível...

Do contrário, nos atolamos numa areia movediça 
que pode causar... estragos.
Ou, então, como é mais frequente... 
partimos para outra e já não mais esperamos....

Triste fim, quando assim ocorre:
portas fechadas para o espetáculo.

19 agosto, 2010

Fragmentos de "ESCOLA E VONTADE DE VERDADE, CRIAÇÃO CONCEITUAL E ACONTECIMENTO e EM BUSCA DE UM CAMINHO DE VOLTA..."



Para Nietzsche,
haveria no espírito socrático uma vontade 
de verdade ao eleger a razão como instância fundadora de
verdades universalmente válidas. Deste projeto emerge o processo de decadência da arte trágica,
esta duramente criticada por Sócrates/Platão, pois guarda parentesco com o erro e a falsidade.
Estipula-se, então, a equação, trágica 
na perspectiva de Nietzsche: razão=verdade e arte=falsidade.
Nesse caso, cabe exclusivamente à razão, através do logos, produzir verdades que estabeleçam
critérios avaliativos de certo, errado, justo, bem e mal. Além disso, é no cultivo do logos e da
verdade que o homem encontra a possibilidade de ascensão, no caso de Platão, ao mundo das
idéias. Na perspectiva de Roberto Machado, esse projeto socrático, sob a insígnia do termo vontade
de verdade deu início a uma idade da razão que se estende até os dias atuais...

ESCOLA E VONTADE DE VERDADE: O ENSINO DE FILOSOFIA 
COMO DIAGNÓSTICO DO DISCURSO
MÁRCIO DANELON
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA – MG

....

O conceito, enquanto acontecimento do ato de pensar, sobrevoa a
potência pedagógica do vivido e, neste sentido, o ensino do filosofar passa a exigir uma atividade
do pensamento que tenha como pressuposto pedagógico a negação de qualquer pretensão de
reprodução dos conceitos já pensados pela tradição da história da filosofia. Negar a reprodução e a
simulação torna-se uma condição necessária para a atividade filosófica, pois é ela que viabiliza a
criatividade e a singularidade do pensamento e, conseqüentemente, permite superar as
dificuldades e as exigências inerentes ao processo de constituição do fazer filosófico. Enfim, a
tarefa de criação conceitual do filósofo possibilita uma atividade que engendra o pensar e, com ele,
sempre um novo acontecimento.

CRIAÇÃO CONCEITUAL E ACONTECIMENTO 
EM DELEUZE E GUATTARI
SIMONE FREITAS DA SILVA GALLINA
UNICAMP - SP

..........

A leitura de um texto é um momento da leitura da vida. Vista desse modo, se insere no quadro de
um acontecimento mais amplo, que inclui não apenas a possibilidade de interagir o mesmo, mas de
exercitar o sentimento de fruição do ato de ler. Pois, quando o texto nos diz algo, participamos
desse dizer ante aquilo que é sugerido, em sua estrutura, a um pensar que o ordena e perspectiva
para acolher e recriar sentidos. O texto sugere caminhos, a serem reinaugurados a partir das
relações virtuais que cada leitor possa estabelecer com as suas próprias experiências vivenciais e a
sua posição parcial de observador. Ao romper com a repetição, a construção da significabilidade
inclui o dinamismo no qual o dito, o pensado e o aprendido deverá ser novamente ultrapassado. A
leitura indicia, assim, um caminho de volta ao silêncio. A gênese do filosofar, esse processo de
construção e reconstrução de sentidos, remonta, também, ao silêncio que se efetiva como
tensionamento no limite do dizer. E o silêncio é esta impossibilidade de reduzir os significados ao
dito e, simultaneamente, a impossibilidade de calar ante a sua densidade. É preciso reconhecer,
portanto, uma posição assumida diante do problema das relações entre filosofia e linguagem, que pressupõe que o dizer, ao tensionar com os seus próprios limites, em um caminho de volta que tangencia, sucessivamente, o silêncio da linguagem, guarda a latência de uma relação inaugural entre o viver e o pensar. Mas, as metáforas do “silêncio” e do “caminho de volta” indiciam uma multiplicidade de sentidos, e guardam em si um convite...

EM BUSCA DE UM CAMINHO DE VOLTA...
SÉRGIO A. SARDI
PUC – RS

14 agosto, 2010

Estupro em Florianópolis: repercussões hediondas do hediondo, ou sobre a complexidade E o despreparo para a vida no século XXI


Edgar Morin nos ensina com sua Epistemologia da Complexidade. a qual assinala 
a dificuldade de entendimento e o esforço que devemos fazer para apreender fatos, acontecimentos e ocorrências sem nos deixar levar por excessos de informação, falta e pobreza de informação, bem como por informações oriundas de fontes imprecisas e comprometidas com interesses específicos, como é o caso da RBS (Globo) no caso do estupro que foi noticiado e investigado em Santa Catarina, já que um dos menores envolvidos e acusados é filho de Sirotsky, diretor do grupo nesse estado e, o outro, é filho de um delegado de polícia, ambos, portanto, ricos e representantes da "elite" econômico-social do estado.

Morin também nos ensina que os paradigmas de que dispomos fomentam e criam a leitura que fazemos dos acontecimentos e da própria realidade, forçando-nos a ver e entender o que eles, os paradigmas, "querem" que vejamos. É uma espécie de prisão mental que nos faz olhar e ver o que confirma nossos paradigmas e nos faz negar - ficar cegos - para tudo aquilo que os contradiz.

Há quem cogitasse que nem estupro teria havido. 
Ora, no mundo do "tudo pode"... por que não?

A barbárie da civilização é o uso indiscriminado da racionalização, mecanismo mediante o qual lógicas de pensamento completamente pervertidas e perversas assumem conotações de razão,
tornando-se possíveis, lógicas e até inquestionáveis: paranóia institucionalizada nos modos de ver e perceber o mundo que nos cerca.

Esse mecanismo é tão perverso quanto o próprio estupro.
Ele está presente nas mensagens do adolescente na internet (veja no vídeo abaixo), nas declarações iniciais de familiares, nas afirmações do advogado deles, na mídia que repete incessantemente sem informar e, infelizmente até mesmo entre os observadores atentos que estão acompanhando o caso de perto.
É o especialismo mostrando sua falta de preparo.
É a sociedade mostrando como está inapta e deficiente para 
VER os acontecimentos desse nosso século.

Outro exemplos disso?
O caso da iraniana condenada por APEDREJAMENTO (!), cuja pena está sendo modificada por enforcamento (!), mesmo com as sanções impostas PELO MUNDO ao Irã e apesar do oferecimento de asilo para "a adúltera" feito pelo presidente Lula (o melhor presidente que esse país já teve na história recente. Ou alguém acha que o Itamar Franco, Sarney, Collor ou os candidatinhos do tipo Serra  e companhia fariam algo nesse sentido? 
Talvez a outra Silva, a Marina, faria... se estivesse na presidência(?).
Nem mesmo Barak Obama, o todo poderoso do país da liberdade fez algo!

Ora, essa lógica que transforma uma mulher em adúltera é a mesma que possibilita que homens islâmicos tenham o direito a até quatro esposas.... Normal, né?
Práticas de desigualdade e de discriminação que tem aval oficial, religioso, social e se que transformam em lei. Respeito às diferenças? Que diferenças?

Assim, sendo, a violência e a perversidade está tanto no estupro físico quanto no "moral" (nem sequer menciono a ética!), já que, todos esses fatos e acontecimentos verificados na chamada "sociedade de controle" (Deleuze e Foucauld) apenas demonstram a diversidade de interesses, justiças (e injustiças), lógicas, paradigmas e especialidades que regem práticas e exercícios de cidadania (cidadania?), profissões e papéis sociais (pai, mãe, advogado, juiz, professor, amante, marido, adolescente, filho, enfim). 
Mas, ainda mais do que isso, demonstra, denota, aponta, caracteriza,dá visibilidade (parcial)
à falência das instituições: familia (cadê os pais da adolescente? Dos acusados? Que educação estão recebendo? Que orientações e valores lhe estão sendo transmitidos,, ensinados?), dos profissionais envolvidos, do Estado (Poder Judiciário), da mídia (comunicar o quê mesmo para quem? Ou seria não comunicar e dissimular, usando outra lógica louca que é a de dizer-sem-dizer e mostrar-escondendo?).
Bom, mas longe de ser uma visão pessimista ou Hiper-real, é, antes disso, uma maneira de estimular o livre pensar, buscando a revisão das nossas maneiras-formas de olhar para a realidade que nos cerca, questionando paradigmas, valores, premissas e práticas intituidas.

O mundo necessita ser (re)inventado 
constantemente naquilo que já não nos serve mais.
A cada momento. 

Nesse caso do hediondo estupro ocorrido em Floripa, temos muitos exemplos disso.
Os especialista erraram nas suas estimativas sobre a pena, apesar da legislação vigente, apesar do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), apesar da comoção social e revolta da população: eles, os acusados do estupro, "sofreram" a pena mais branda possível. Por que?

Basta pensar um pouquinho... Sem muito esforço.
E, as matérias abaixo, ajudam nesse sentido.

Acabou em pizza. Veja matéria transcrita do Jornal Correio do Povo
de hoje, 14 de agosto de 20010 (em vermelho), matéria do mesmo jornal na edição de ontem, 
em ("ocre") e matéria "muito boa",
informativa e completa sobre o início do caso, com vídeo
e depoimentos  copiados do site http://noticias.r7.com/  (em verde)

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A decisão judicial repercutiu entre os catarinenses, refletindo-se sobretudo em sites e blogs, onde foram postadas mensagens de protestos e de revolta. 
Muitos internautas lembraram que a pena branda foi dada devido 
ao poder econômico e à pressão das famílias dos adolescentes acusados, 
que procuraram abafar o caso. 
Um dos acusados é filho de um empresário de uma rede de comunicação, 
e o outro, de um delegado de Polícia. O estupro ocorreu no apartamento da família de um dos jovens, 
no dia 14 de maio, em Florianópolis, em Santa Catarina.

Na própria Internet, na época, a conversa de um dos adolescentes acusados indicava 
a certeza da impunidade mesmo com o ato cometido. Um amigo pergunta se estuprar estava 
na moda e se ele não tinha medo de ser preso. "Tu tá zoando, né?", respondeu o adolescente, 
fazendo pouco caso da Justiça. "Eu... quem eu quero!", assegurou no diálogo com o amigo.

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A pena branda aplicada pela Justiça de Santa Catarina aos dois adolescentes acusados 
de estuprar uma menina de 13 anos, que devem prestar serviços comunitários, causou indignação na família da vítima. "Essa decisão atinge a dignidade da Justiça catarinense", 
disse a mãe da menina, acrescentando que "um ato infracional dessa gravidade jamais poderia 
receber como resposta penal uma medida de liberdade assistida que, no caso, é a mais branda de todas". 
A mãe da jovem disse ainda que "isto (a decisão) ofende a sensibilidade e o bom senso daqueles 
que esperavam que a justiça fosse feita".

Sobre a possibilidade de recorrer ou não da decisão judicial, o advogado da família da jovem, 
Francisco Ferreira, esclareceu que precisa primeiro ter acesso aos autos do processo. 
"Preciso ver o teor da decisão da juíza", observou. Lamentou, porém, que o seu pedido 
de vistas ao processo tenha sido negado até o momento, por duas vezes, apesar de o Estatuto 
da Criança e do Adolescente facultar o acesso ao advogado. Para Ferreira, as medidas deveriam ser, 
no mínimo, de regime de semiliberdade ou internação. Sobre a repercussão entre os catarinenses 
da aplicação de uma pena branda aos adolescentes, o advogado lembrou as diferenças de tratamento 
conforme a classe social. "Infelizmente é o Brasil", afirmou.

Os dois adolescentes, ambos de 14 anos, filhos de famílias de classe alta, terão de prestar serviços comunitários por seis meses. A decisão, tomada na quinta-feira, durante a audiência de apresentação 
do processo, determinou também que os menores tenham acompanhamento psicológico no período 
em que ficarão sob regime de liberdade assistida. 

O serviço comunitário deverá ser cumprido em uma instituição social durante aproximadamente oito 
horas por semana. Caso ocorra descumprimento da medida, a decisão poderá ser revista. A decisão 
foi confirmada pela juíza da Infância e Juventude da Capital catarinense, Maria de Lourdes Simas 
Porto Vieira, que determinou o acompanhamento psicológico. Já o serviço comunitário e o regime 
de liberdade assistida foram sugestões da promotora da Infância e Juventude, Valkyria Danielski.


Acusados de estupro têm pena branda

A Justiça de Santa Catarina surpreendeu, ontem, ao determinar pena alternativa para os dois adolescentes acusados de estupro de uma menina de 13 anos, em Florianópolis. A decisão foi tomada em uma simples audiência de apresentação dos menores, ocorrida pela manhã na Vara da Infância e da Juventude, na capital catarinense, para a qual não houve comunicação à família da vítima. Conforme decisão da juíza Maria de Lourdes Simas Porto Vieira, os adolescentes terão de prestar serviços comunitários por seis meses e passarão, no mesmo período, por liberdade assistida com acompanhamento psicológico.

O fato ocorreu no mês de maio, quando a menina sofreu abuso sexual por parte de um adolescente de 14 anos, filho de um diretor de uma empresa de comunicação local, e por outro jovem, também de 14 anos, filho de um delegado de Polícia, na casa de um deles.


Defesa já esperava esse tipo de decisão

O advogado de defesa dos adolescentes, Marcos Silveira, afirmou que a decisão da Justiça foi tomada depois de um consenso entre a juíza da Vara da Infância e da Juventude de SC, Maria de Lourdes Vieira, representantes do Ministério Público Estadual e a defesa. "Já esperávamos este tipo de pena, que tem sido bastante aplicada em vários pontos do Brasil", justificou o advogado. Segundo Marcos Silveira, a decisão é adequada ao processo, uma vez que não constam nos autos qualquer indicação ou prova de que tenha ocorrido violência no episódio.


Houve privilégio, diz advogado da família

O advogado da família da vítima, Francisco Ferreira, reclamou da forma como ocorreu a decisão. "O Poder Judiciário de Santa Catarina tem uma cultura reconhecida de decidir em defesa da sociedade. Nesse caso, a sentença foi a antítese dessa postura", afirmou.

A inconformidade do advogado se deve ao fato de a decisão ter sido proferida em audiência na qual somente os acusados e seus defensores estavam presentes. "Eu ainda buscava através de recurso o direito de ver o processo e tinha prazo até a sexta-feira", disse, acrescentando que "a decisão veio privilegiar a RBS". "Foi tomada numa manhã, quando nunca os atos no Fórum ocorrem neste horário", observou. O advogado esperava sentença de semiliberdade ou internação. Pela gravidade do fato, segundo ele, um ato infracional de violência de estupro é crime que merece uma pena mais dura. "A defesa desta jovem também foi violentada", enfatizou.


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A troca de mensagens em um site de relacionamento da internet entre dois adolescentes trouxe à tona o estupro de uma menina de 13 anos, em Florianópolis, Santa Catarina. O crime aconteceu há 40 dias, mas a confissão do jovem de 14 anos, suspeito de ser um dos estupradores, foi o estopim para a história se espalhar pela cidade.

O jovem, que confirmou o estupro pela internet, é filho de Sérgio Sirotsky, diretor da RBS (Rede Brasil Sul de Comunicação), que controla jornais, rádios e as emissoras de tevê afiliadas da Rede Globo em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Além dele, outros dois adolescentes, um filho de um delegado da cidade e outro não identificado também teriam participado do estupro.

A reportagem da Rede Record entrou em contato com a assessoria da RBS, mas foi informada de que Sirotsky não vai se pronunciar sobre o assunto.

Em depoimento à polícia, a menor estuprada disse que foi ao apartamento do filho de Sirotsky no início da noite. No local, ela e dois adolescentes começaram a beber. A jovem confirmou que bebeu vodka e que depois não lembra de mais nada. Ela suspeita que os amigos colocaram algum sonífero em sua bebida. O estupro teria acontecido no quarto do jovem com a menina inconsciente.

As investigações foram encerradas na semana passada e encaminhadas à Justiça. A delegada que cuidou do caso preferiu não fazer declarações. 

O criminalista Marcos Soares disse que a pena para este tipo de delito cometido por adolescente é elevada.

- Não é uma pena, mas uma medida sócio-educativa, que deverá ser uma internação de no máximo três anos.

Os diálogos

Na conversa com o amigo pela internet, além de confirmar a agressão, o filho de Sirotsky ainda faz ameaças. Perguntado pelo colega se “estuprar está na moda”, o adolescente usa uma expressão vulgar e dar a entender que faz isso com quem quiser.

Durante a conversa, ele é questionado se não tem medo de ser preso. Certo da impunidade, o filho de Sitotsky diz: “tu tá zoando”, ou seja faz pouco caso do Justiça brasileira.

 
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A troca de mensagens em um site de relacionamento da internet entre dois adolescentes trouxe à tona o estupro de uma menina de 13 anos, em Florianópolis, Santa Catarina. O crime aconteceu há 40 dias, mas a confissão do jovem de 14 anos, suspeito de ser um dos estupradores, foi o estopim para a história se espalhar pela cidade.

O jovem, que confirmou o estupro pela internet, é filho de Sérgio Sirotsky, diretor da RBS (Rede Brasil Sul de Comunicação), que controla jornais, rádios e as emissoras de tevê afiliadas da Rede Globo em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Além dele, outros dois adolescentes, um filho de um delegado da cidade e outro não identificado também teriam participado do estupro.

A reportagem da Rede Record entrou em contato com a assessoria da RBS, mas foi informada de que Sirotsky não vai se pronunciar sobre o assunto.

Em depoimento à polícia, a menor estuprada disse que foi ao apartamento do filho de Sirotsky no início da noite. No local, ela e dois adolescentes começaram a beber. A jovem confirmou que bebeu vodka e que depois não lembra de mais nada. Ela suspeita que os amigos colocaram algum sonífero em sua bebida. O estupro teria acontecido no quarto do jovem com a menina inconsciente.

As investigações foram encerradas na semana passada e encaminhadas à Justiça. A delegada que cuidou do caso preferiu não fazer declarações. 

O criminalista Marcos Soares disse que a pena para este tipo de delito cometido por adolescente é elevada.

- Não é uma pena, mas uma medida sócio-educativa, que deverá ser uma internação de no máximo três anos.

Os diálogos

Na conversa com o amigo pela internet, além de confirmar a agressão, o filho de Sirotsky ainda faz ameaças. Perguntado pelo colega se “estuprar está na moda”, o adolescente usa uma expressão vulgar e dar a entender que faz isso com quem quiser.

Durante a conversa, ele é questionado se não tem medo de ser preso. Certo da impunidade, o filho de Sitotsky diz: “tu tá zoando”, ou seja faz pouco caso do Justiça brasileira.

 








07 agosto, 2010

Clarice Lispector... "cada pedaço de mim"...





"Cada pedaço de mim
sabe o inferno que é ser
sol em noites de chuva,
ser cor nos cinzas dos edifícios,
ser luz na escuridão das manhãs.
Cada todo de ti sabe a delícia
que é ser flor nas asas do vento,
ser cristal nos olhos das fadas,
ser azul no fundo do mar.
Cada suspiro de nós sabe
a angústia que é ser só um
na multidão dos dias,
ser muito na pobreza da esquina,
ser ninguém na roda da vida.
Enquanto isso os relógios se vão,
e vêem aqueles que sabem
o que é apenas ser na
ausência do nada". 


Clarice Lispector




Coisa Tua, por Alice Ruiz e Coisa Nossa, por Cesar R K




COISA TUA

Assim que vi você
logo vi que ia dar coisa
coisa feita pra durar
batendo duro no peito
até eu acabar virando
alguma coisa parecida com você
parecia ter saído de
alguma lembrança antiga
que eu nunca tinha vivido
mas ia viver um dia
alguma coisa perdida
que eu nunca tinha tido
alguma voz amiga
esquecida no meu ouvido
agora não tem mais jeito
carrego você no peito
poema na camiseta
com a tua assinatura
já nem sei se é você mesmo
ou se sou eu que virei alguma coisa tua

- Alice Ruiz -


COISA NOSSA

Assim que vi você
não imaginei que ia dar certo
algo feito para durar
mas logo me vi por perto
feliz no peito batendo
por estar me (des)(re)conhecendo
parecia ser algo novo e desperto
nenhuma lembrança antiga
nada encoberto
tudo para ser descoberto

És um voz amiga
que fala ao meu ouvido
agora sei que tem jeito
corrego você no peito
sem militância e sem camiseta
sem assinatura e sem opereta
apenas com a lembrança nova
de quem sabe que se renova

Cesar R K

Nome da imagem: confort

Repercussões do meu "poema" acima no orkut - tão bom e estimulante! -:

1
Não sabia que eras poeta também.
Parabéns. Amei.
bjOs

2
Ce, meu amigo, que emocionante seu poema "Coisa Nossa"!!!
Já me dava por satisfeita em ler a bela "Coisa Tua"...
Obrigada, meu querido, por sua sensibilidade e carinho...
Me perdoe por mais um tempo a ausência ainda necessária. Lovyou. 

3
Hum, eu gostei do que escreveu....posso fazer um cartão 
com o que me mandou? e aonde eu acho mais coisas suas... 
que vc anda escrevendo ..hehee ..hein??? 
bom dia ai, fica bem my dear ..bjus cerejados...rsrs.. 

4
QUE COISA, 'COISA NOSSA'

Queridoooooooooo,
Uma gostosura viva
Esse livre pensar!!!

Coisa Nossa, uauuuuuu, é
O poder mágico das suas
Ideias (des)cobertas que
Soam forte em minh'alma.
Assim, o carrego no peito.


Gostei demais da conta. Criatividade, leveza... 
Muito lindo!!!
Thank You!

.............................................................

Livre pensar!
Sim!

Acho lindo "Coisa Tua".
E também gostei da "Coisa Nossa".

Carta de amor, por Juremir Machado da Silva



Nem só de senhoras idosas vive o reconhecimento de Juremir Machado da Silva. Também eu sou fã dele. Das idéias dele. Da sua forma de escrever, brincar, gozar e ir distribuindo, compartilhando conceitos e, eventualmente, os criando... produzindo.
Esse, por assim gostar de me expressar, devir, que o percorre na escrita - talvez melhor seria dizer devires: sensibilidades atípicas, terrorista, criança, homossexual - é fonte de grande divertimento, aprendizagem e revisão de conceitos.
O gosto pela provocação aos conceitos e às maneiras usuais de pensar e raciocinar, bem como o prazer em instigar polêmicas produtivas e produtoras - de inéditos - é uma das suas características mais marcantes e que, realmente, me agrada, muito.
Abaixo, mais um de seus artigos/textos "copiado e colado" da edição de hoje, 07 de agosto de 2010, do jornal Correio do Povo de Porto Alegre.
Bárbaro!

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Carta de amor


Estou exagerando? Ainda ontem, de novo, na Praça da Alfândega, um senhor, que cheguei a confundir com Paulo Brossard, me atacou e falou assim: "Minha mãe te adora". Voltei para casa entusiasmado. Chico Buarque debochou no passado dos ditadores: "Você não gosta de mim, mas a sua filha gosta". Eu posso dizer a qualquer um desses jovens ditadores de moda: "Você não gosta de mim, mas sua avó gosta". Tanto é assim que recebi esta carta de dona Faustina Severo, de Porto Alegre: "Querido Ju: tu és a alegria destes meus dias de alta maturidade. Ah, se eu tivesse dez anos a menos, ou se a sociedade não fosse tão preconceituosa! Poderíamos viver um lindo grande amor".


Se a Cláudia deixasse. Dona Faustina tem 97 anos de idade. Estou falando sério. O mundo mudou radicalmente. As mulheres vivem mais e melhor. As mais velhas estão cansadas de recato. Querem emoções. Querem amor. Querem sexo. No fundo, toda mulher é Madame de Bovary. O bovarismo é que torna as mulheres interessantes. Emma traiu o marido em busca de uma vida espiritual mais elevada. Deu errado. As mulheres são mais inteligentes do que a maioria dos machos, aos quais só interessa a aparência. Encontram na inteligência de alguns homens - ou no poder e no prestígio - um afrodisíaco superior. As mais jovens, na sociedade atual, do espetáculo, da pressa, custam a perceber o valor interior. Houve um tempo em que o excesso de bovarismo era o problema. Hoje, é o contrário. Eis o meu diagnóstico preciso e claro.


As mais jovens ignoram Flaubert. Nem conseguem pronunciar bovarismo. São as marias chuteiras de todos os tipos, graus e classes sociais. Só as bem mais velhas é que descobrem a verdade. Eu desperto o bovarismo das nossas avós. Estou tranquilo: dentro de 50 anos, as suas netas estarão aos meus pés. Eu as acolherei com alegria e sem ressentimento. Uma guria mais franca me jogou na cara: "O senhor escreve para velhos". Saí em defesa das minhas leitoras, que são jovens de espírito, assanhadas, radicais, libertárias, cultas e muito sensíveis. Estamos abraçados. Vou começar a ir com meu amigo Bernardo Issler, professor aposentado da USP, aos bailes da terceira idade de Porto Alegre, São Paulo e Paris. Uau! Em Nova Iorque já tem rave da melhor idade. É uma revolução.


Eu sou o Michel Houellebecq das mulheres com larga experiência. Falo a língua delas. Mexo com a intimidade delas. Só elas apreciam devidamente uma linguagem debochada, uma estética radical, uma literatura vertiginosa, um estilo com cem anos de avanço sobre os demais. Não concorro mais a prêmios, salvo se o júri for integrado por mulheres com mais de 70 anos. A juventude é literariamente analfabeta. Mal chegou a Charles Bukowski. Ou ainda está patinando em Paulo Coelho e vampiros e lobisomens. Nada mais antiquado do que vampiros. As mulheres de mais de 70 anos, futuristas, livres de todas as amarras, querem a complexidade de Baudelaire, Rimbaud, Céline, Houellebecq e eu. São elas que cantam: "Já não somos as mesmas e não vivemos como as nossas filhas".

JUREMIR MACHADO DA SILVA:  correio@correiodopovo.com.br

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Também gostei muito do texto abaixo, retirado da mesma edição do mesmo jornal.
Essas coisas simples e complexas que ajudam e estimulam o pensamento e o pensar são muito bem vindas.

Crônicas da Cena

A utilidade da filosofia

CACO COELHO

A filosofia é a arte de fabricar conceitos, segundo Deleuze. Entender a vida na sua profundeza, desvendar ao homem o sentido oculto das coisas, ou a ausência de qualquer sentido, como o quer Sartre, é o papel do filósofo. Formular um sistema de pensamento, que possibilita articular o conhecimento, é o objetivo preliminar ontológico. Por muito tempo, em algumas questões até hoje, preponderou o que os gregos refletiram da existência. A era moderna foi inventada pelos alemães. Depois, ocorreu uma ascendência, sobre o ocidente, do pensamento francês. Raro terá sido, no entanto, entre os pensadores brasileiros, alguém que tenha ido tão longe, quanto o filósofo gaúcho e universal, Gerd Bornheim. O eixo central do seu sistema era a fragmentação. Sou um fragmento, dizia. Esta disposição revolucionária está intrinsecamente ligada a formação multicultural brasileira. O Gerd entendia, e pregava com obstinação, que a filosofia devia ser útil. Útil para a vida das pessoas, objetivamente.

Sua motivação era fazer ver, identificar, achar, através da expressão que somente a arte é capaz. Alem de complexa obra literária, o mestre fixou sua atuação como professor e palestrante. Seu campus predileto era o da Uerj, pela convivência dialética entre as ciências do saber. Numa palestra sobre Bertolt Brecht, que ficou conhecida como Quatro Estéticas, Gerd falou da invenção da linguagem com o romance de Flaubert, com a pintura da pintura de Picasso, ou ainda, com o homem se tornando destino do homem. Esta palestra foi uma das inspirações para a tese de doutorado, apresentada esta semana, no departamento de filosofia da Uerj, no Rio de Janeiro. O também gaúcho Gaspar Paz, já mestre em musica pelo estudo da obra de Lupicinio Rodrigues com orientação do próprio Gerd, percorreu os passos do filósofo, ao longo da sua formação europeia, focado no influência do teatro e da música. Nos últimos dias de vida, o Gerd permanecia inquieto com as ideias: "Tem tanta coisa que eu ainda tenho que dizer e não consigo mais agarrar". A exuberância do trabalho realizado pelo Gaspar porta esta coragem. Evidencia-se o desejo de que esta beleza seja proclamada, ganhando ampla divulgação. É um direito brasileiro poder pensar seu próprio caminho.