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26 setembro, 2009

Mais sobre o irresistível II






Prática

Terá aquilo, aquele ou aquela que nos é i-r-r-e-s-i-s-t-í-v-e-l... um fim?

Supunha eu, que sacrilégio, que a nossa separação, ou, noutros termos, o seu afastamento, transformaria você em alguém resistível, que não mais me tiraria do chão, não mais me deixaria sem ar e não mais faria meus olhos lhe procurar em todos os cantos... e esquinas.
E Era verdade mesmo. Tudo isso aconteceu, desde o momento em que me obstinei a seguir essa disciplina monástica de ficar longe de você e longe, isso é o mais difícil, das minha idéias a seu respeito. Pensamentos e memórias de afetos e desejos que teimosamente resolvem se intrometer na minha vida consciente.
Consciente?
Não só... já que sonho com você. Também isso... acontece.
Mas, nessas idas e vindas da experiência, fui mantendo você longe o suficiente para ser apenas a memória de um real passado, ou seria a memória de um irreal passado?

Sabemos que o imaginário produz realidade e que o virtual é produtor de real.

Ora, você sempre foi real.
Toquei seu corpo.
Tomei você em meus braços.
Lhe falei e lhe ouvi.
Mais de tudo: olhei para você em mundos de tempo infinitos! Cada gesto, cada movimento, cada chegada e cada partida eram uma constelação de universos, sempre repetidos, mas a cada vez de forma diferente, da beleza ímpar sua e desse seu jeito absolutamente encantador... que me enlouquece.

De novo a volta do absoluto!

Bastou um encontro com alguém comum a nós para que as breves notícias a seu respeito puxassem todo o irresistível de volta: agora eu sei onde você está, com quem e o que faz. Agora posso ir ver você de novo e de novo e de novo... e matar toda essa saudade enclausurada que me ativa o desejo de você... por perto, ao alcance dos meus olhos e das minhas mãos.

De que adianta? Se você, mesmo sendo real, nunca deixou de ser virtual? Se mesmo estando comigo, nunca, de fato, esteve?
De que adianta essa minha vontade de olhar e ver, se o essencial em você está completamente escondido... e inacessível?

Hoje, mais uma vez, depois de anos, O IRRESISTÍVEL bateu à minha porta, na forma de suaves notícias - suas - que chegaram:
minhas pernas balançaram, o coração acelerou e a
vontade de te ver-olhar-e-nunca-mais-párar-de-te-olhar
voltaram a tomar conta de mim.

Socorro.

Eu não consigo mais párar de te olhar quando começo a te olhar...
Te vejo até mesmo na tua ausência!

O irresistível que se transformou em resistível
e agora quer voltar a ser irresistível...

Não! Chega!
Chega meu caro mito-reconhecido-como-mito!
Tudo de novo... NÃO!
Ponto.

Somente um esforço grande aliado a uma disciplina que se garante pela prática continuada me possibilitou ... resistir.
Tarefa difícil, considerando-se o muito que você representa para mim e o muito de .. tudo... que lhe devoto.

Resistir ao irresistível é uma oportunidade de nada mais "daquilo tudo de novo" voltar a acontecer.

Nem poderia. Você não é mais você. Eu não sou mais eu.
Nós não somos mais nós... depois daqueles encontros-desencontros... que tanto sacudiram nossas estruturas.
Nossas?
Sim, nossas, embora, penso eu, pelo que deduzo de você, você imagine que só eu fui afetado pelo conhecimento que fizemos one by one.

Breves momentos em que o desejo de VER (você) tomou proporções de VIDA AGORA (para nós... afinal... tudo poderia ser diferente! Poderia?)

Mas, felizmente para mim (quanto à você, nem mais me dou ao trabalho de considerar e hipotetizar - já foram tantos os monólogos que fiz... com você! - porque cansei de esperar e de apostar) essa volta do irresistível teve duração FINITA.

Bastou dialogar com o passado e reavivar as memória do real-como-real para puff... desintegrarem-se as pretensões de "tudo de novo!
Que alívio!

Você já não tem poder sobre mim. Eu o tenho!
Adeus ao irresistível!
Até um próximo encontro.

(Claro, porque sei que o irresistível, qualquer um deles, sempre volta...)

Teoria

Será possível decidir o que fazer?

Um outramento possível e atual, que se dá através de agenciamentos coletivos e de fluxos incontroláveis do desejo de vida está na medida do possível associado às intempestivas violações da identidade reconhecida:
Eu sou eu
Eu amo você
Eu sinto a sua falta
Eu quero ver e saber de você

Que eu?
Que você?
Que nós?

Um outramento que se define pela recusa de eu-apaixonado, eu-com-saudade, eu-querendo-lhe-ver-e-saber-de-você possibilita sensações e montagem de territórios singulares para a experimentação de outros estados de mim; um eu desplugado do desejo simbiótico desse nós.

Nós de nós que não foram desfeitos.

Nós de nós que se desmancharam, sem terem sido novamente tecidos (a não ser quando do retorno do (quase) irresistível (que se tornou) resistível.

Um processo de singularidade assim montado, pela recusa de você, engendra mundos de eu-para-comigo-mesmo-a-revelia-da-sua-existência.

Resistência?
Resistência política definida por um forte desejo de saúde e bem estar psíquico: manter-se longe das suas maquinações maquínicas.

Mas e o maquínico que reinventa encontros e atualizações do encontro de nós que não somos mais nós?
Ele continua a operar no meio social, nas conversas de informalidade, no imaginário que teima em fazer conjecturas de possíveis, nas expectativas de que tudo pode ser diferente... de antes.

Ora, mais do que tudo, é necessário apostar na fragrância da diferença que se movimenta nessa resistência à você. Dizer não ao irresistível é dizer sim à vida, no seu fluxo de mudança e despersonalização.
Novos mundos são possíveis e de fato acontecem fora dessa tresloucada paixão amorosa que parece não ter fim até mesmo quando já acabou de fato.

Esse é o convite para todos aqueles que querem bater as asas e voar para um lugar longe dos afectos do aprisionamento simbiótico.

Tudo em você me seduz e encanta.
Tudo de você me seduz e encanta.
Nada de você me seduz e encanta.

Tudo e nada são palavras grandes, generalizantes e inebriantes que não podem mais ter lugar num universo de resistência ao irresistível.

Pode haver desejo, sedução, interesse, saudade... e o resto todo que os eternos (outra palavra grande e gorda!) apaixonados sentem e inventam para si e para seus amores-apaixonantes acreditarem.

Pode haver, também, e essa é a ferramenta decisória para ser usada nesses casos de visita do, de novo... irresistível, passagem do amor paixão ao amor decisão.

Não se trata aqui de fugir das sensações de mundo nem de não se entregar ao movimentos de desterritorialização que afectos e afetos assim intensos provocam, mas de insinuar a existência de outros mundos possíveis depois da, já conhecida, hecatombe.

Existe vida depois de você.
Existe vida depois de vencer o irresistível.
Existe vida... anyway.
A vida existe e ela está aqui e agora!





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17 novembro, 2008

A carência, a falta e a ausência, pela pirâmide.





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Dizer que a carência é "a base da base" para sonhos, expectativas, desejos" e que ela motiva os amores, paixões e obsessões é um “heresia intelectual”, permita-me usar o termo com esse diferente sentido, e, é, verdadeiramente, (de) um reducionismo atroz..

Sim... as carências existem e são mesmo base para algumas das configurações humanas.
Vejo, no entanto, uma retórica negativa e negativista na sua argumentação.

Você fala, cara
colega das areias sempre mutantes do deserto (e, no entanto, eternas) da carência como se ela fosse um buraco vazio - oco - que necessita ser preenchido. Fala numa “falta”, como sendo uma falta... ausência de si ou de algo.
Você se antepôs à minha leitura e decidiu pensar

por mim... dizer por mim e argumentar por mim... sinais da sua onipotência extravasante!

Reivindico meu direito ao livre pensar e à livre expressão das idéias como exercício de
diálogo. Não estou presa aos seus paradigmas; tenho os meus! Outra forma de prisão - a das referências sempre presentes dos paradigmas - mas falemos sobre isso... depois, noutra oportunidade. Agora o que nos convoca é a carência e sua relação com os seis elementos: expectativas, sonho, desejos, amor, paixão e obsessão.

A carência, como falta, define configurações existenciais. Imaginemos uma pessoa que se sente triste e que está apegada a esse sentimento, dizendo reiteradamente para si (e para os outros) que não pode, não deve, não quer, não precisa, não necessita sentir-se assim...e, portanto, Precisa sair desse estado de tristeza. Imaginemos que ela também se apega ao “produto final” dessa tristeza... como sendo o momento em que se sentirá, finalmente, feliz, alegre (vamos dar duas opções para esse nosso humano fictício – fictício?).

Ora... esse apego ao resultado já é o próprio preenchimento do vazio, de uma nova maneira: agora ela não está mais somente triste; ela está, também, com a falta da felicidade, ou da alegria. Tem dois problemas ao invés de um.
Por quê não pode simplesmente sentir-se triste
e esperar passar?
Não há sentimento que dure para sempre...

a não ser, quem sabe.. o amor!


A carência como ausência também define configurações existenciais. Imaginemos essa
mesma pessoa triste que, no entanto, não sai a vociferar sua tristeza, mas a concebe e vive como uma condição... humana e situacional. Sabendo que vai passar... ela não sai "correndo atrás" de felicidade e de alegria e, principalmente, não sai correndo atrás DA felicidade e DA alegria: ela aceita sua condição de triste e a assimila... deixando espaço para que a felicidade se instale e a alegria se instale no devido momento.

Ela também, desapegada dos
resultados finais, pode... sentir tristeza E felicidade, tristeza E alegria em momentos diferentes de um continuum de tempo!,

ou, quem sabe, ao mesmo tempo em espaços de coabitação
desses fluxos de sentimento!

Mas aí há um grave problema: os humanos são demais apegados, obsessivos mesmo, com a idéia de um todo igual e imutável de si próprio: a identidade.

O “eu sou” para eles é muito
peremptório, decisivo e inviolável. (sobre isso podemos conversar, minha cara – risos – por mais um século!)

Muitas vezes eles pronunciam “eu estou” como sendo “eu sou”... progressão geométrica de estados para reiterar o mesmo de si próprios de maneiras diversas. Como são confusos...

Mas nem tudo está perdido. Ainda há n possibilidades de acontecimentos e encontros...
com a vida que passa pelas, como você gosta de dizer, areias à nossa frente!

Quais são?

Como instituí-las? Como apropriar-se delas?
Esse é um tema ao qual voltaremos.

Respondendo suas duas perguntas: “essa pontiaguda criatura apontando para um vértice linear em direção aos céus” não se pretende única dona da verdade ou DA verdade e não faz ameaças...
como decifra-me ou devoro-te –repetição compulsiva do seu “eu sou” – e,

finalmente,

quero dizer que a minha contemplação e observação da vida é silenciosa e há nela uma ausência que não precisa ser preenchida pelo fora... exclusivamente
basta-me a invenção e a assimilação de meus estados Do dentro.
Não aposto todas as minhas fixas
no fora... só algumas... rsrsrs... diferentemente de você!

Assinado: A Pirâmide, que não solicita decifração, porque admite os mistérios e os guarda...

deixando a cada um sua própria interpretação, não precisando, assim, ameaçar... hahahaha...

...como a
vida é bela.

Tenha bom humor minha cara, bom humor!
Você anda muito amarga para quem Só contempla e
não vive a vida como os humanos... e a vida dos humanos.

Ah, só mais uma coisa: você sabe que escapou por pouco da destruição irremediável quando da invasão dos soldados de Napoleão, não é?
Apenas achataram seu nariz, e apenas ele,

porque você

estava coberta pelas areias, à época!

Quase que a sua pretensão de eternidade – no corpo físico – e
de absoluto virou pó. Pense nisso minha cara... antes de empinar esse nariz que... não tem!




Nota do mediador




Nota do mediador
Instituí um diálogo entre as minhas duas recém criadas, embora velhas povoadoras do imaginário da humanidade, personagens conceituais(?)... a esfinge e a pirâmide. Ambas desafiam o tempo e mantém-se como eternas. Cada uma a seu modo tem pretensões de absoluto.
O diálogo busca relativizar conceitos e estabelecer elos de comunicação entre o dito inquestionável e o supostamente impossível, perpassando sentimentos, afetos, afecções e simbolismos tão comuns à nossa vida de seres humanos.
Donas de "notório saber", elas são questionadas em sua implicação discursiva.
A configuração geral dessa conversa entre elas é o que estou denominando de cartografias líquidas para bases supostamente sólidas.
Se vc que está lendo não gostar ou senti-se insultado ou invadido de alguma maneira... avise-me, sim?
Um abraço e um beijo.
Todos os direitos autorais preservados (rsrsrs... mesmo!)


A carência como base da base, pela esfinge.



3





Você me acusa com sua “vontade de humanidade.”

Diz que não tenho coração (como os humanos) e me aprisiona nas suas perguntas descabidas e revoltantes. Engessa-me! Supõe- me alheia à vida deles e, implicitamente, me condena “por não ter vivido o que eles vivem.” Acha mesmo que só há aprendizagem, conhecimento e sabedoria através da vivência “in loco” da realidade?

Considera verdadeira a premissa “é preciso viver para saber”?

Ora, esse é um paradigma ultrapassado.
Na própria contemplação há vida!!!

Deitada nas areias do deserto... observo e vejo – Vejo - a vida que passa por mim e desfila sua incontável sede de poder, amor e glória.

Há gerações e há milênios... eras inteiras, contemplo... e esta contemplação me trouxe O saber sobre os mistérios que os aflige. Pobres humanos!
Tão sedentos de eternidade para seus amores, paixões e poder!

Veja... uma nova pirâmide se forma, uma nova tríade: aprendizagem, conhecimento e sabedoria. Se somarmos a isso o poder... (rizada)... Oh céus!
Isso é infindável! Quando vamos terminar com isso?

Você também está certa: amor, paixão e obsessão formam bases para a expectativa , o sonho e o desejo. Bases sólidas, gasosas, voláteis, imateriais, indizíveis... sim, porque não?

Há, no entanto, outro elemento para essa receita de huummm, como posso dizer, humanidade: a carência!

Você se esqueceu da carência!
C A R Ê N C I A!

Quantas coisas são feitas, ditas e vividas em nome do amor, da paixão! Quantas obsessões se desenvolvem em híbridas conexões destes com a carência!

Mais dor e mais sofrimento... ignorância também!
Sofrem os humanos porque desconhecem. Falta-lhes informação.

Imagino que você já estará antepondo à essa problemática sua noção de falta.
Carência como falta!
Ora... são sinônimos! Somente no que diz respeito aos processos conscientes.
O que dizer dos processos inconscientes... nos quais a carência já está preenchida e, portanto não há “falta”, mas lhe é negado o conhecimento do resultado e do processo?

Convido-a, minha cara, a torcer seu pensamento obtuso e acompanhar meu raciocínio brilhante... rsrsrsrs... para outros ângulos dessas imagens poliédricas.

Veja... há amores e paixões que servem de base para sonhos e desejos, só para citar um exemplo, que estão alicerçados noutra base... a carência

Carência de que? Que carência? Ou... que carências?

Ora, ora , ora... elementar: de afeto, de companhia, de informação, de auto-estima – como os humanos gostam dessa palavrinha chata e medíocre, auto-estima - , de felicidade, de humor, de produção literária e artística... numa palavra... de vida!

Ah sim! A obsessão, a qual você se refere, nesse contexto, é desejo de morte.
Morte em vida! Horrível!

Bem... para não cansar seus neurônios, cara senhora feita de pedras, argamassa e areia... rsrsrsrsrs... quero lhe perguntar só mais uma coisa. Não, duas: que sabe você sobre os humanos se também não passa de uma pontiaguda criatura apontando para um vértice linear em direção aos céus? E se, no seu silêncio, nada mais faz do que observar e contemplar a vida que passa pelas areias?

Assinado: A esfinge. Decifra-me ou devoro-te!





Considerações sobre "a base" pela ótica da pirâmide





2




Você Esfinge, que se considera eterna, e portanto imortal, se coloca "acima dos mortais" na sua arrogância contemplativa... simplesmente porque considera que eles, os mortais, não desvendaram seu (s) segredo (s): decifra me ou devoro-te!
Esta é ...a Sua ilusão!

Os humanos vivem!
Que sabe você sobre a vida?

Você fala na base... "não esqueçam da base"... você diz.
Já pensou que "a base" pode não ser sólida?
Que pode ser composta por outras configurações e elementos...ahhhh voláteis, incorpóreos, etéreos e atômicos? Gasosos? Intraduzíveis? Indizíveis?

Sim, você está certa.
É importante atentar para "a base" e considerar que ela não é necessariamente linear rumo ao infinito... apontado para cima e para o todo como uma agulha.

Mas... os humanos estão VIVOS... vivem suas vidas... como podem! Por vezes apenas sobrevivem!
E ele têm bases!
Bases emocionais. Bases Afetivas. Bases relacionais. Bases sexuais.
Bases ideais, intuitivas, espirituais, cósmicas... bases de sensibilidades atípicas micropolíticas!

Os humanos fazem e criam expectativas, sonhos e desejos com... amor, paixão e obsessão!

AMOR: verbo intransitivo. Quem ama, ama.
O amor dá-se, doa-se e entrega-se a si próprio... para o outro. Não requer objeto específico e não espera recompensa (ainda que na maneira humana possa TER objeto específico... ama-se mais... ama-se menos... ama-se este ou aquele... )
O amor é. Ponto.
Os humanos amam com o coração (que, você esfinge, não tem), com a mente, com o espírito, com o corpo. Apegam-se às formas dessa expressão... à estética dessa entrega.
Mas amam!
Por vezes amam demasiado. Demasiado?
Existe limites para o amor?
Diga-me, esfinge: existe?

PAIXÃO: substantivo. Sentimento intenso, forte e intempestivo movido e direcionado para... um objeto, que no caso dos humanos, geralmente é um sujeito (um objeto-sujeito e/ou um sujeito-objeto!)
Pode estar associado a vício, adição e predileção.... pelas formas e pelo imaginário que colocam, os humanos, nesse... objeto (objeto?)
APAIXONAR-SE: verbo transitivo, requer um objeto, geralmente venerado e adorado!
Os humanos apaixonam-se e colocam nessa ação - veja, ação! - movimento dirigido para o outro... todo o seu imaginário acerca desse "objeto"... esquecendo-se de que ele também é, e principalmente isso, ele é um... Sujeito, com vontade própria e ... aprisionam-se (e ou outro!) nesse território de areia movediça. Grudam... e sentem... e sofrem... e querem... e querem... e querem mais, e mais, e mais do outro... cultivando, simulaneamente, mais, e mais, e mais de si e de sua paixão.
Eles, os humanos, dizem que é muito bom apaixonar-se e viver a paixão... porque eles se desterritorializam... deixam de ser "um eu" e passam a ser "algo"... "um outro" diferentes de si próprios.
O que sabe você sobre a paixão esfinge? O que sabe?

OBSESSÃO: Substantivo. Quer dizer... impertinência excessiva, ação ou efeito de importunar ou vexar.
Os humanos, por vezes, ficam assim: obsessivos em suas paixões!
Como loucos, perdem o senso de direito; perdem a racionalidade (não a razão!); perdem a vergonha e o sentido de limites... sentem-se como que invadidos por esse sentimento de irresistível apelação... e ganham... só desejo, e mais desejo, e mais desejo!
O sujeito... que, nesse caso, é "só um objeto - da paixão obsessiva-" deixa de ser visto como tal, e passa a ser des-considerado e des-presível... desprendido de sua condição de sujeito.
Dor. Sofrimento. Tortura. Auto e alo tortura.
Prisão e agonia.
Tensão e angústia... indizíveis.

Há, entre os humanos, estudiosos que dizem não ser possível AMAR obsessivamente, mas tão somente, APAIXONAR-SE obsessivamente! Ponderam que o amor... liberta e a paixão... aprisiona!
Então esfinge, diga-me, porque os humanos amam e se apaixonan - há milênios - mesmo sabendo disso?
Que sabe você sobre a obessividade e a obsessão, esfinge?
Aposto que sabe muito... você é aprisionada obsessivamente à sua paixão pelos mistérios e segredos... rsrsrsrsrs... e ao seu famigerado "decifra-me ou te devoro." rsrsrsrrssrs

Talvez VOCÊ se surpreenda.. ao ser decifrada pelos humanos!

Sobre "a base"... tenho a lhe dizer: os humanos têm bases insuspeitadas e insuspeitas... variantes e indizíveis para suas expectativas, sonhos e desejos.

Que combinações possíveis podem ser feitas entre essês seis... elementos?
Expectativas, sonhos, desejos, amor, paixão e obsessão?
Diga-me esfinge, diga-me!

Hasta la vista, senhora!



1. A Pirâmide, sob a ótica da esfinge.





1.

Como podem, pergunta-se a esfinge, que esses humanos nada aprendem com o passar do tempo e com a experiência? Será que não percebem que estes três lados da pirâmide nem sempre estão unidos pelo vértice?

Negligenciam... com tanta facilidade os espaços abertos!

A tríade expectativa, desejo e sonho não são um todo fechado que se unem num ponto comum, raciocina.

A expectativa, pensa ela, com a serenidade de quem nada espera e apenas contempla, é a realidade antecipada que se cria através dos sonhos acordados: não é e, não são, os sonhos, sinônimos de expectativa, conclui. Se assim fosse, bastava sonhar e... pronto: tudo se realizaria! Que fácil. Será que não percebem que seus desencontros e frustrações tem ralação direta com suas expectativas? Será que ainda não aprenderam que o tombo é proporcional a altura da qual caem? Se iludem... pensando que Os Fatos, A Vida... é que é difícil e desgraçada!

O desejo, pondera, com a sabedoria de quem entende que todos os mistérios não podem ser decifrados à luz da razão comum, é esse mistério sempre escapante, pois que inconsciente e coletivo, é traçado em linhas não lineares que pedem passagem para saudar e dar vida à Vida! Nisso também eles se iludem, miseráveis humanos, que supõem poder controlar as rédeas do imponderável e inusitado nas próprias mão, como quem segura uma... caneta, se espanta!

O sonho, intui, com a segurança e tranquilidade daqueles que conhecem os desdobramentos do silêncio, é a fábrica-máquina que Gesta possibilidades sempre inacabadas e abertas. Como se esqueceram disso? Será que confundem expectativas com sonhos, questiona. Também aí está sua ilusão: montam castelos de areia na beira do mar pretendendo que sejam estáveis e indestrutíveis... desconsiderando o mar e as marés. Confusas criaturas... diz de si para si mesma.

Ora... querer que esses três lados possam juntar-se num ponto comum... para formar a estética da ação, é uma bobagem tão grande como supor que alguns grãos de areia podem me cobrir e me esconder dessa tola humanidade, diverte-se a esfinge, inebriada...

Os espaços abertos, raciocina a esfinge... sonhando em transmitir seu ângulo de visão aos humanos... são aquelas gotas, aqueles átomos, e, porque não, questiona, aqueles oceanos que Não são passíveis de junção no vértice, ou, quando o são... não formam Uma linha de intensidade e duração infinita para o alto, como se a ponta da pirâmide se transformasse na ponta de uma agulha... ri ela, com seu sarcasmo inteligente.

Fazê-los re-conhecer – idéia súbita que lhe ocorre para resolver esse enigma que atormenta os pobres humanos – que a pirâmide não tem três lados: obvio!

Como não pensei nisso antes, surpreende-se.

Ora, todas as pirâmides, inebria se ela, com a segurança de quem dá um verídico inquestionável, possuem Quatro lados.

A base... lembrem-se da base... que dá sustentação às expectativas, aos desejos e aos sonhos... lembrem-se da base... e adormece para dormir o sono dos justos e dos que estão cançados...

O que a esfinge esqueceu de mencionar é que pirâmide não é sinônimo de triângulo... e que, pirâmides, podem ser de mais de um tipo... triangular, hexagonal...

Parece... que ela pretendeu mencionar a importância da base... da base.

Será que Todas as expectativas, desejos e sonhos têm base?

Que tal perguntar à esfinge quando ela despertar do seu sono...?

(Cesar Ricardo Koefender... ao copiar, preserve a autoria)





Mais sobre o irresistível



0,99...





O irresistível. ( ponto)

O irresistível nos convoca a um novo status... nos faz dês-identificarmos-nos com nós próprios. Nos joga numa corrente de outramento – ser um outro, transformado sem imagem e sem semelhança conosco, ou com quem quer que seja –, momento ímpar e singular onde nos desencontramos... e passamos a fluir no fluxo das mudanças que se operam sem o nosso pretenso controle... e sem o nosso controle, de fato!

É nessa experiência inédita, em que não conseguimos resistir... que nos entregamos e aceitamos o movimento da vida, das pessoas, dos sentimentos e nos transformamos “em algo” que não é comparável à nossa identidade, posta e re-posta... imagens sempre simbolizadas de um Eu imutável.... e partimos para a constituição de (novos) territórios existenciais: imagens distorcidas e pouco confiáveis de paradoxos não logísticos, não submetidos a essa lógica Identitária e –quase sempre – imutável do “eu sou.”

Correntes de água que, tal quando das comportas abertas, jorra e nos leva a descobertas... de... “algo” quer não sabíamos da vida, do outro... de nós!

Esse é o aspecto transitório do irresistível. Momento de recusa ao mesmo, ao igual; recusa ao mesmo de si.! Busca, ainda que não programada, da diferença.....

Aposta no e ao desconhecido.

Movimento descontrolado de pura vida atravessando a existência... movimento de pura existência atravessando a vida. Movimento instituínte de puro desejo... de vida.
Viver.

Adeus à morte... à mesmice... ao Eu (tal como o conheço e sou re-conhecido!)
Ah sim. Claro que existia vida Antes do irresistível. Que vida?

Quando já não resistimos mais e nos entregamos... podemos experimentar... liberdade!

Corremos, também, o risco de nos inundarmos, nadando nesse puro movimento de águas sedutoras e cristalinas, e submersos, faltando-nos o ar, morrermos afogados... na prisão da dependência.

Sucumbir ao fascínio da diferença, tomada como um Fim em si mesmo...

O que fazer?
Indizível e inominável.

Certo... é que o irresistível é um Meio de libertação, ao qual não controlamos.
Certo... é que o irresistível, seja ele de que ordem for e que forma tenha, precisa, em algum momento, se transformar num r-e-s-i-s-t-í-v-e-l.

Como?

Diga-me você!





O irresistível (e a esfinge!)






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O irresistível nos joga numa corrente de pura intensidade. Como uma tempestade, arrasta, puxa, consome, troveja e redemoinha, atira, levanta, mata e dá nova vida.
O irresistível aprisiona, sodomiza... Estende o desejo ao limite do intolerável

Não!

Ultrapassa todos os limites possíveis e, como um vício, pede sua atualização de desejo e saciedade, cada e cada vez mais.
Impossível-possível, que se atualiza num interminável retorno da diferença de si mesmo.

Cada ângulo, faceta, curva, repouso, movimento... cada átomo pede mais e mais de você de novo e de novo...

Com a sua  mão de ferro, disfarçada de pluma, você me pegou, pegou esse outro de mim que eu nem sabia que existia... e guardou! Guardou egoistamente para uso próprio. Narcisista. Perverso...Amando... A mando seu!.

O irresistível torna-se uma morte do passado porque aposta, convida, exige... um puro presente. 
Despersonalização.

Não sou eu quem ama e deseja... é um outro... um outro, desconhecido de mim... e incontrolável.
Ai. Ai. Ai.
Dor, dor, dor.

Não é possível suportar um orgasmo permanente.

É sim... e eu quero mais de você e de mim... Agora e sempre!

O irresistível aponta para um eu desconhecido e apresenta um outro desconhecido para esse eu: cataclisma. Tudo o que julguei viver até agora é nada..., Quando me atiro em você e quando espero você se moldar a mim... sou pura intensidade desse encontro.

O irresistível nos mostra as outras faces... Sobreposta, superposta, deslocadas de um centro já não unificador: deslocamento de um sabido, conhecido... que me toma... e atrai na sua direção... me trai, na sua direção!

Quero mais e mais de você e desse sentir que você arranca de mim.

O irresistível nos mostra um presente de puro prazer e um futuro totalmente inventado e ilusório... real apenas como imaginário!

Socorro. Preciso de ajuda. Quero mais, mas não posso!

Você na sua placidez e imobilidade de um ima vivo nada faz... só me tortura com sua presença – ainda que imaginária - promessa de movimento, prazer e saciação.
Os olhos vêem o invisível do visível em você. Sentidos hipe-aguçados.
Os ouvidos escutam a música da permanente sonoridade sua...

O toque só faz estremecer cada átomo dos corpos...
Ai. Ai. Ai. Que prazer!
O irresistível nos leva para o apego do indizível e não enunciável.
Redundância... só para quem não o viveu!

Quero mais, mas preciso ter menos de você.

Qual esfinge na minha vida – decifra-me ou te devoro – você nunca fez a pergunta. 
Não era necessário...

Porque já me devorou, digeriu, aproveitou, consumiu e excretou o que de mim não precisava.

O que me facsina em você... já não é você... mas o próprio fascínio que você – com a minha ajuda – despertou e fez nascer em mim.

O irresistível nos arrasta para a consciência... Decepção!

O amor, e o desejo, e o vício, não foram eternos como prometia a atração indelével e inelutável!

Superação.
De você.
De mim.
Adeus... Estou livre de você e de seu poder sedutor.

Ainda quero... ah como quero... mas sei que não posso. Não posso.
Vou embora e deixo você com seu próprio mito de poder que, sinal e final dos tempos, você só possuiu por que eu o crie e o dei a você.
Você é minha obra. Eu sou o seu senhor. Papéis invertidos.

Mas, abdico, em nome do vivido, de escravizar-te... Oh! Esfinge!
Você fica, com seu olhar imóvel... a contemplar o deserto. Só aparência de poder.

Eu já estou no fluxo de saída. Adeus. Você fica com seu charme, com sua beleza, com seus enigmas...
...seu mistério não tem fim, mas é resistível...

Resistível! Ouviu bem?

Quando chegamos nesse ponto... Sempre precário, frágil e embrionário de suportar o irresistível... e a ele resistir, vencer... 

Entramos num outro devir antológico. Um outramento agora é possível: ser um outro!

Novos e diferentes presentes são possíveis e atuais.

Uma nova força nos invade e somos puro desejo de liberdade...
Já não somos escravos e nem senhores.
Somos o que estamos... sem sucumbir àquilo tudo outra vez!

O passado de desejo infreável fica como uma jóia rara: trancado no cofre do coração e usável somente em momentos muito especiais... acionados pela memória.

O presente que se estica e materializa... prescinde de você, Oh! Esfinge!

Esse irresistível... Pode ser uma pessoa-objeto, ou um objeto-pessoa; pode ser uma coisa, uma bebida, uma idéia, uma prática, uma droga (química ou não) um sonho, um relacionamento... um delírio híbrido ...de necessidade e carência.

Esse irresistível, poder dos poderes, foi um delírio atemporal - porque eterno na duração - sucumbiu a uma intensa necessidade e potência de vida... outra vida, agora inventada e desplugada do fascínio inebriante e alienante desse você...que por mim foi criado.

Que foi bom... foi! 
Muito bom!.
Mas acabou...

Agora... em frente... Outros me chamam e são por mim chamados.
Resisto a você porque desvendei alguns dos seus mistérios... porque abro mão de desvendar outros... mas, principalmente, porque com a sua ajuda – ainda que você não saiba disso – me voltei para mim, para meus mistérios e minhas facetas...

Olá...

(Cesar Ricardo Koefender - Cerikky)