16 junho, 2012

Therion e sua magia
























 




Meu fascínio está... 
só no início!!!

Therion:

 Clavicula Nox   


 Draconian Trilogy:
The Opening /
Morning Star /
Black Diamonds


raven 
of dispersion


Deggial


7 secrets of the Sphinx


A MAGIA 
CONTINUA




13 junho, 2012

Sobre os loucos e ajuizados, por Florbela Espanca


"Afinal, quem é que tem a pretensão de não
ser louca?...
Loucos somos todos, e livre-me Deus dos
verdadeiros ajuizados,
que esses são piores que o diabo!

- Florbela Espanca -


Eu gosto dos loucos em geral
e gosto dos ajuizados no particular.
O que não suporto, mesmo, é dos certinhos,
"normais" que fazem cara de samambaia para
as afecções que a vida produz.

Gosto dos que inventam e desinventam
baseados no diálogo que fazem entre as
suas loucuras e sanidades.
Aqueles que ficam parados na linha tênue que
separa esses dois mundos e práticas me dão ojeriza,
com j e com z, tal como aprendi (na ortografia e) na vida.

A capacidade de adaptar, adequar, de forma não sectária
e sem desejo de absoluto, a sanidade e a loucura com
os meios de produção do dentro e do fora... nas relações
consigo e com o outro - qualquer outro -
configura-se como uma tarefa mágica, cheia de prazer
e descobertas que variam ao infinito
das possibilidades da vida em nós.


Cesar  R K

Florbela Espanca sobre ingratidão e maldade





Eu não sou como muita gente: 
entusiasmada até à loucura 
no princípio das afeições e depois, 
passado um mês, 
completamente desinteressada delas.

Eu sou ao contrário: o tempo passa 
e a afeição 
vai crescendo, morrendo
apenas quando a ingratidão 
e a maldade a fizerem morrer.

- Florbela Espanca -



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Acreditar que podemos passar
a vida toda
sem sofrer a ingratidão, 
até mesmo dos mais
próximos 
e queridos por nós, é uma ilusão, 
como ensina Hammed.

Eu sinto que a ingratidão pode
não matar a afeição, mas, tal como
deixa claro Florbela, no seu uso do 
gerúndio do verbo amar,
vai matando-a. 
Por vezes, até as mais belas relações 
assim se esvaziam... 
até não sobrar
nada...
quando a ingratidão se repete...
demasiado.

Ainda acho que a melhor maneira
de lidar com isso, é não criar
expectativas...
ainda que nos sintamos
no desejo dela
e as mereçamos,
a gratidão.

Importante também...
 é darmos,
a nós mesmos,
a gratidão que queremos do outro

E a maldade?

Está certo que não precisamos
"ser amigos do inimigo"
e com ele tecer relações
afetivas, mas
precaver-se e afastar a maldade
- se afastar da maldade, do outro
e da nossa própria - é condição
de bem estar e saúde.

Ou... será que algum hipotético leitor desse
breve comentário, acredita 
não haver maldade dentro de si?

LIMITES: é disso que
a maldade precisa...
ausência de território para proliferar.

Perdão?
O perdão, me parece, não tem
poder sobre a maldade... repetida.






12 junho, 2012

O tempo, o amor entre os deuses e a aurora




O Tempo entrou em cena entre o aflorar da intenção e o ato que se seguiu.


Com o despertar; com aquilo que faz existir, impõe se também o tempo, que faz desaparecer. Aquilo que faz existir e faz desaparecer, as duas potencias impalpáveis que precedem todas as outras, às quais retornamos todos, aparecem juntas, toda manhã, na figura daquela que é "a mais bela de todas", atrás da qual se entrevê um cortejo interminável de cópias, tão belas quanto ela.
E, paralelos a elas inúmeros rostos que a observam: os mortos, os nonatos. "Foram-se os mortais que viram resplandecer a primeira Aurora. Por nós agora ela se deixa contemplar. E eis que chegam aqueles que a verão nos tempos futuros."


Mas de que outra coisa se podeia cogitar? Brahma mergulhava em si mesmo e encontrava a melancolia de quem entende demais e não sabe a quem falar. Foi isso, exatamente, o que nele se iluminou.


Por que o simples fato de vê-la, tocava-o no único ponto onde sentia não possuir resistência?


Se em toda palavra se encerra o assassínio da coisa que espera desde sempre uma reparação, desses nomes emana uma substância macia e irradiante que em vão procuraremos entre as coisas que são. E mesmo nessa substância existe o indício de alguma reparação.


Tocaram-se na ponta dos dedos. Naquele instante Brahma compreendeu o que é o contato: um estremecimento e uma revelação.


Brahma estava taciturno, oprimido. Aqueles seus filhos nascidos da mente pareciam-lhe vazios, tolos. Não entenderiam nunca o que significa, o que pode significar - na condição de perigoso, incongruente, fugidio, louco, opaco - o existir. Eram nascidos da mente, possuíam leveza e mobilidade, mas não tinham mais consistência do que fogos-fátuos. O mundo corria o risco de permanecer para sempre como um farrapo de tecido macio e vaporoso, que oscila ao vento sem existir.


É difícil suportar a beleza da vida com você.


Sati teve a sensação de que seu corpo existia pela primeira vez. Sentiu não que Shiva penetrava nela, mas que Shiva abria-se para ela, como uma vasta cavidade e a acolhia em si.


O coito de Shiva e Sati durou vinte e cinco anos, sem que Shiva vertesse nela o sêmem. Como um elefante aprisionado, Shiva não podia se mexer senão tocando o corpo de Sati. Quando falavam, brincavam.


Durante a cerimônia nupcial um brâmane me sussurrou que você me aceitara só porque é devotado a seus devotos. Mas o que significa essa devoção? Quero o conhecimento." ... "A devoção por você não me basta", disse Sati. "Você não precisa dela. Você é eu. Esse é o conhecimento. Nada mais que três palavras", disse Shiva. "E você, o que é?", perguntou Sati, com súbita doçura, estudando seu amante. "Eu sou isto", disse Shiva. "O que é isto?", insistiu Sati, como uma menina teimosa. "Isto que faz saber que estamos falando. Mas não devemos falar mais", disse Shiva, e recomeçou a desfiar, lentamente, como centenas de outras vezes, os braceletes dos pulsos de Sati.


Também essa, que era uma ferida recente, aberta, atravessava suas fibras de um extremo a outro, parecera fazer parte dele desde sempre. Cada amante ama, antes de tudo, uma ausência. A ausência vem antes da presença na ordem hierárquica. A presença é apenas um caso particular de ausência. A presença é uma alucinação com certa durabilidade. Mas isso não diminui em nada a dor.


Parvati adora não entender. Para ela, o escuro era o que atraia acima de tudo. O que a circundava ali, ao contrário, era transparente demais. ... "Já é imenso só o prazer de vê-la", pensou Shiva. "Como será o de abraçá-la?"
(Fragmentos de Ka, de Roberto Galasso)




Postagens relacionadas nesse blog:

http://psicologiaevidalivres.blogspot.com.br/2011/10/bastar-se-si-mesmo-solidao-e-o-outro.html

http://psicologiaevidalivres.blogspot.com.br/2012/04/rush-entre-nous-ou-sobre-estar-junto-s.html


11 junho, 2012

Clarice e Florbela sobre... a arte, e eu, sobre os aplausos


O orkut, apesar de todas as suas mudanças, ainda é um local-lugar onde belas coisas acontecem.
"Belas coisas" é um generalização.
Refiro-me à poesia e a beleza, quando elas andam de mãos dadas com amizade e expressões genuínas de afetos.

Quando cheguei lá, me deparei, entre outras beldades, com o que está abaixo: Que lindo!

"Vejo a imagem da paisagem e do rosto da criança e penso: nunca precisamos tanto de tanta leveza e serenidade verdejante como agora. Grato por tudo e perdoe-me pelo silêncio. Beijos em teu coração. Amo-te, meu amigo". 
(Do Carlos, comentando uma das postagens abaixo, nesse blog e que também foram postadas lá, no orkut).

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Mesmo quando não estou pensando em você, sinto um pensamento
constante a seu respeito, como a música que acompanha os filmes.

- Clarice Lispector -

...

Tenho dias em que todas as pessoas me dão a impressão de
pequeninas figuras de papel sem expressão, sem vida...



... amigas tenho as que toda a gente tem. Amigas... conhecidas, por outra, tenho
muitas, principalmente nesse meio de luxo e opulência em que a principal felicidade
consiste num chapéu ou num vestido da moda. Eu não as entendo, nem elas a mim me
entendem, e eu não sei se serão elas ou eu a razão, neste mundo em que cada um vive
para si. Eu sou refratária a todas as altas questões de elegância, e se um vestido ou
um chapéu me encanta é apenas pela porção de arte que eles podem conter,
e nada mais.

- Florbela Espanca -

...

"Essa sua veia inventiva é tudo de bom. Quantas coisas bonitas!!!

Neste seu MOVIMENTO, a emoção, a beleza, a leveza
me deixam pra lá de encantada".


















(Da Witch, comentando postagens que fiz na página dela)
A imagem acima foi ela quem postou também.

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E, então, afetado que estava com minha tarde de trabalho no 
consultório, onde alguns "pacientes" -mas um, em especial) 
falavam sobre a arte, a beleza, as energias, os afetos que se 
produzem na gente... as críticas que nos fazem por sermos 
críticos... sobre a "vontade de aplauso" e a necessidade 
de vivenciar "o belo" em nossas vidas (o que incluiu, "por
em análise" as nossas escolhas... profissionais, estéticas, 
as práticas cotidianas que se vinculam com o que de positivo
(vibrante, feliz, alegre e vivaz) se apodera de nós, ou não... 

E, também, afetado que fiquei com as belezuras que reproduzi 
aqui... (sim, pois onde mais poderíamos VER essa imagem belíssima 
azul acima, senão no orkut ou em algum site que hospedo imagens?
Certamente que não no Facebook.), escrevi para Witch:

Hoje tive um linda oportunidade para falar sobre o encantamento e sua relação dialógica com o encantado e o encantador na minha prática clínica com "um paciente impaciente"... e suas relações com o que nos afeta e em que afetamos... tudo misturado com ARTE... e suas derivações... Essa pessoa, "o paciente" foi à Opera no Teatro do centro histórico da cidade... e começou descrevendo isso e como se sentiu... em relação a isso mesmo e mais a sua companhia, a peça em si e suas escolhas ao longo da vida... ficou triste... na ocasião, mas apenas o tempo de perceber, em sessão, "a crise aguda de arte poética" que estava vivendo... e procurandp dar sentidoS  (kkkkkkkkkkkkkkkkk o termo foi meu.... kkkkkkkkkkkkkk) a isso.
Foi delicioso.
Suspeito que esse MEU deliciamento começou com os seus scraps, que me deixaram encantado também...
... já que eu tinha entrado antes de atender aqui e os li/vi...

Clarice e Espanca são danadas de maravilhosas e vou juntá-las para um post no (omitido) blog... logo mais.
Aquela imagem azul: um estupor de linda!

Se estamos, ambos, encantados... é porque estamos (somos?) kkkkk) encantadores... mas, o ENCANTO... esse é da arte em si... digo, a ela pertence e nos vence: atravessa e rompe as fronteiras... tipo isso.
Thanks my dear. Very much.

Ele, o paciente-impaciente, falou sobre os aplausos na ópera (15 min) e sobre como nunca os terá e gostaria de ter tido e ter. Eu falei sobre os aplausos como expressão da celebração da arte e do belo... que se pessoaliza.
Somos aplaudidos com e de tantas formas: um olhar, um sorriso... um reconhecimento.
Aplausos que não são feitos com as mãos. Fez muito sentido para ele e de uma forma não conformista! E para mim também!

Sinto que você fez isso comigo - de novo - hoje.
E eu estou fazendo com você, embora esteja, paradoxalmente, usando as mãos para escrever esse texto... kkkkkkkkkkkk

Você celebra, e portanto aplaude, tanto e meu blog e scraps, que eu realmente me sinto
gratificado. Em estado de arte.
En-can-ta-do.

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É como no texto da Florbela Espanca - no qual me reconheço:
A arte que está na imagem, na edição, no poema, na intenção e intensão* (ação-intensiva) é que me encanta.
E, mas precisamente, é nesse conjunto que está a beleza do encanto.
NÃO SÓ OS APLAUSOS DA PLATÉIA, MAS OS NOSSOS PARA ELA E TUDO AQUILO QUE SE FAZ VIBRAR DENTRO DE NÓS QUANDO... VIVEMOS ISSO!

* Intenção tem sua origem na palavra em latim intentio e se refere a um propósito, um plano, um desejo, uma ideia, uma aspiração.
Intensão tem sua origem na palavra em latim intensio e se refere a um aumento de tensão, de força, de energia.

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Também me lembrei do post abaixo: Uma variação sobre esse tema (esses temas)

Salvei essa imagem com o nome "platéia".
O objetivo era fazer um outro post...



É assim que eu fico - hipnotizado -
ao ler e ouvir Fernado Pessoa!
As palavras dele soam como as
mais lindas músicas aos meus ouvidos.
Sons do que se passa dentro e fora de mim.

Não. Não são ouvidas só com os ouvidos,
mas também com a alma, o coração,
o cérebro.

Palavras lidas... por inteiro.

...

Quem está hipnotizado por quem?
Será o menimo, que não consegue
parar de tocar,
dada a atenção inequívoca do gato?
Será o gato, que interrompeu sua jornada
para ver e ouvir o menino tocar sua flauta?

Quem é platéia de quem?

A "ouvidoria" de um pode ser muito
melhor do que a de muitos.

Ver... saber ver...
Ouvir, saber ouvir...

Há um en-tu-si-as-mo
atravessado aqui.
E é mútuo.

Essa pode ser uma das expressões
do desejo e... que nada tem a ver com
a vontade ou a falta dela (da platéia).


Ou seja: uma delícia!
Um de-lí-rio!