08 maio, 2011

Dia das Mães e dia das mães



Dia das Mães (com maísculas)
e
Dia das mães (com minúsculas)

Falar, pensar, homenagear as Mães como categoria Universal
é um perigo, um equívoco porque considera que todas elas são iguais, mesmo quando se sabe que elas não são.
É bonito, romântico, emocionante tentar imaginar que esse papel social é realmente universal.
Imaginar...

Só nessa semana, aqui em Porto Alegre, os jornais noticiaram três casos de crianças que morreram ou foram abandonadas, duas delas dentro dos carros (foram "esquecidas"), pelos pais, os homens. Outra foi abandonada pela mãe ainda com o cordão umbilical...

Tanto as mães quanto os pais, quanto os amigos, os profissionais, os homens, as mulheres... não são iguais. Óbvio.
Óbvio?

Se é assim tão evidente, porque se fala tanto nesses dias comemorativos de forma tão... contrária a essa evidência?

O cinema e a literatura nos mostram muitos tipos de mães: heróicas, abnegadas, amorosas, infantilizadoras, megeras, culpabilizadoras (como a mãe da bailarina no recente Cisne Negro). Cruéis, enlouquecedoras, elegantes, charmosas, bondosas, destemidas, corajosas.
Presentes.
Ausentes.

Muitas mães e muitas mães.
Cada época histórica produz seus sujeitos humanos e os papéis a eles atribuidos. Ainda assim, em todas as épocas, as mães nunca foram iguais.

Nesta data temos uma possibilidade de falar, lembrar, homenagear a mãe.
A nossa.
A minha.
A sua.
A mãe singular. (Por isso a palavra mãe está escrita com letras minúsculas, ainda que eu posso falar da minha MÃE com letras maiúsculas... em 'caps lock').

Aquela que atravessou a existência de cada um de nós...

Ela ou sua substitua... a mãe do peito, a mãe do coração, a mãe da adoção, a mãe por adoção.

Nossa existência é marcada pela mãe que tivemos, que temos.
Cada um de nós traz no corpo, na mente e no espírito as marcas dessa mãe.

Como ela nos segurou. Como era a voz dela. A risada. Os olhos e o olhar.
Como era o jeito de caminhar, sorrir, dormir, comer.
Como ela lidava com as coisas da vida e a vida das coisas.
O que ela gostava e o que preferia.
Que valores, exemplos ela nos passou e quais assimilamos e quais ainda não.
Como era o cabelo dela e como ela lidava com ele.
Seu tipo físico, as roupas que usava; as comidas que fazia, os presentes que nos dava.
Os abraços, o carinho, as reprimendas para nos ensinar...
Os beijos.
Os beijos, os beijos e os beijos!
Tudo isso - e muito mais - podemos lembrar.
Tudo isso - e muito mais - podemos conjugar...
Muitos no presente.
Outros só no passado.

Eu só posso conjugar no passado.
Minha mãe... há muito... partiu...

Com ela apreendi a ser honesto e a dizer a verdade.
Apreendi a não pegar e não mexer no que não me pertence.
Apreendi a acreditar na minha força; a não desistir facilmente; a fazer as coisas do meu jeito, levando em conta a opinião dos outros.
Com ela apreendi que os mimos nem sempre estragam, mas podem atrapalhar... porque ficamos muito bem acostumados (plural para muitos mimos).
Com ela apreendi que amar nunca é demais, e que amor pode ser demais.
Com ela apreendi sobre erros, acertos, perdão; com ela apreendi sobre bondade, força e coragem; com ela apreendi sobre respeitar limites e sobre desafiá-los.
Com ela apreendi a confiar, confiar e voltar a confiar. Até um certo ponto que não dá mais.
Ela plantou em mim uma semente de religiosidade - que deu frutos - e que tranformei em espiritualidade.
Com ela ainda estou apreendendo muitas coisas que não quero citar aqui, mas que ela certamente tentou me ensinar e estou me esforçando por endender e apreender porque considero que ela tinha razão.
Tinha?
Tem!

Ela, que eu amei desde sempre, se foi...
Ela, que eu amo desde sempre, está viva dentro de mim.
Ela, que eu amo desde sempre, me fez (e faz) acreditar que está viva num
outro lugar... e que está bem.

Saudades? Muitas!
Entendimento e aceitação? Quase sempre...
Agradecimento? Sempre!

A ela, essa minha mãe muito amada, o meu beijo carinhoso, o meu abraço bem apertado e o meu agradecimento.
O meu amor com o desejo de saúde, luz e paz sempre!

E também aquelas risadas que dávamos juntos!


Um comentário:

Kátia disse...

Que post mais... mais belo!!! Você sabe a que, a reflexão desse seu post, me levou... E onde, né? Lá longeeeeeeee!!!

A desumanização existe em todos os sentidos, meu querido. Há mães que não merecem os filhos que têm, como há filhos que não merecem suas mães. Uma lástima ver aquelas mulheres que não honram com a devida nobreza a beleza de ser Mãe. Revoltante ver em datas específicas como essa, o endeusamento às mães, presentinhos, beijinhos e depois, novamente, escrava dos filhos. Sabia que Anna Jarvis, uma humilde moça jurou à mãe criar o "Dia das Mães" e cumpriu nove anos mais tarde, logo em seguida veio o seu arrependimento? "Não criei o dia das Mães para o comércio ter lucro."

As VERDADEIRAS MÃES são o chão dos seus filhos. Aquilo que elas plantam em nosso coração, faz muito daquilo que somos. Os filhos ingratos? Um dia deixarão a soberba de lado... e se arrependerão. E se o dia é explorado pelo comércio, que assim seja, hahahahahahahahaha, afinal de contas muitas cidades deste país vivem do comércio. Datas especiais devem ser festejadas, e presente é retribuição, é querer bem, é agradecimento.

"A ela, essa minha mãe muito amada, o meu beijo carinhoso, o meu abraço bem apertado e o meu agradecimento. O meu amor com o desejo de luz e paz sempre!" ---> Lindo esse amor. E não posso perder a oportunidade em dizer que o Amor verdadeiro nunca acaba!!!

Também eu estive, no Dia das Mães, pertinho da minha querida, aliás sempre estou, mesmo ela já não estando mais aqui neste nosso plano. Sabe por quê? Mãe é uma força motriz que te segura mesmo depois que você não couber mais no colo, mesmo depois que você não puder mais segurar sua mão, ou porque cresceu ou porque está longe, ou porque ela já não está... mas é a força que vai te levar para frente pelos longos anos da sua vida!

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