24 abril, 2009

Estar bem e estar mal: uma dialógica em movimento ou desdobramento sobre a aprendizagem das esferas concêntricas





Decididamente Mestre, acho que estou sendo claro, e com a grande capacidade de síntese, própria de quem está mergulhando nos oceanos dentro de si (sem deixar de olhar para fora... e ver o céu lá em cima, o sol, as núvens e o próprio movimento da superfície do mar), e consigo passar a constatação do reconhecimento que há entre o eu e o outro. Linha de continuidade. Vivo essa experiência cotidianamente, a cada encontro com o "irredutível outro"... Minha-Nossa Alteridade!

Não se trata só de afinidades, mas daqueles sentimentos e percepções que, baseados no mergulho, dão o tom da mudança que leva à frente... para novos e insuspeitos caminhos que se abrem... na e para a vida, dentro e fora da gente.
Os espelhos que se quebram não deixam de refletir imagens, agora... fragmentadas: cacos que podem ou não se juntados.
Lembro-me muito Mestre, daquela história que nos contou acerca da batalha entre os deuses do Olimpo, razão e emoção.

(Link para essa postagem... Psicologia e Vida Livres: A História contada pelo mago-mor... sobre razão e coração: Cygnus X-1 Book II: Hemispheres Rush ... )

Novas imagens não precisam desse espelho. Podem até precisar de outros...

Reconhecer a doçura, a suavidade, a bondade e até as idiossincrasias não tão "belas" no outro, baseando-se em si próprio, é uma benção!
Somos igualmente diferentes ou diferentemente iguais.

É
Lindo
Perceber
Isso!

A vontade de desistir de tudo ou... de tudo desistir... também me atravessa, em momentos "demasiadamente humanos"... mas, quando vejo e penso: "que tudo é esse?" ... percebo que o "tudo" não passa de uma parte, um fragmento (as vezes grande), mas, ainda assim, um fragmento... um caco!

Nas intensidades desses momentos "fugazes-que-parecem-eternos", o desespero toma conta e... passa a tomar proporções de todo, sem se saber sendo parte: é o humano, demasiado humano.

Precisamos, sinto e penso, adotar outra atitude... algo como ver que podemos nos afastar dessa humanidade viciada por excessos e buscar suavidades ... felinas... caninas... lobais (uivar, porque não?)... baleísticas (kkkk... e nadar) ... voar, como as borboletas... para territórios REAIS mas não contaminados pelos sentimentos de ABSURDO que se apoderam de nós naqueles momentos.


Uma coisa recente que aprendi é: mesmo nos momentos mais difíceis, há... HÁ... MOMENTOS, COISAS, FATOS, ACONTECIMENTOS... bons e felizes... instigantes, que despertam interesse e que nos levam para ações... desejantes.

Pensamentos-sentimentos em conjunção produzem... diferenças de percepção e mudança de atitudes Mestre, tal como você nos ensinou. Estou encantado com essa magia-sem-ritos!

Tudo parece estar interconectado: opostos podem e ESTÃO juntos!

Olhar para ambos e permitir-se sentir e viver a AMBOS é o que eu estou colocando em prática... fazendo experimentações nesse sentido.... e sinto verdadeiros milagres acontecendo!

Talvez por isso o "tom" mágico... que é real...
Uma magia feita de aceitação...
Uma magia feita de revolta-que-alerta-como sinal...
Uma magia que promove mudanças...
Uma magia que se concretiza na experimentação das experiências reais-paradoxais.

Viajei?
Se não, você me acompanhou!
Se sim, você (me) acompanhou também... kkkk
Amo você Mestre!

Permissão para o amor, a doação ... para o fluir... sim, adoro isso!

Também estou no reconhecimento dos territórios de receber, do outro, o que ele tem de melhor... aceitar suas ofertas, oferendas, saberers, afetos, experiências... e o que que ele me entrega... sem que eu me sinta ou sinta que ele... deseja, espera, almeja algo em troca... embora isso possa estar presente... eventualmente!

Nesta caminhada de iniciação permanente nas Coisas da Vida e na Vida das Coisas, permito-me o passo lento-calmo (e o vigor do andar rápido, quando necessário!) e vejo que estou bem... e... aprendendo-apreendendo!
É tão bom Mestre.!

Imagino você dizendo: - Tudo é impermanente. Até isso passa.
Mas também imagino você dizendo: - Aquilo que se apre(e)ende, apre(e)ndido está!

Abraço forte-grande-leve e suave.

Seu discípulo, que já se sabe... co-criador!

(Extraído de "Cartas para o Mestre - quando das experimentações em si próprio. p. 601)



22 abril, 2009

Sentimentos de culpa, reparação e mídia, fragmentos...





Sentir-se culpado é humano
e colocar a culpa em alguém é ainda mais humano.

Que espanto essa moral judaico-cristã: sentimentos de culpa
poderiam ser colocados no lixo (comum) e/ou, quando muito,
reciclados!

Mas... para muitos, a ação que a culpa desencadeia ...
ainda é uma maneira de reparação.

(De "Palavras do mago")

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Mas... para muitos, a ação que a culpa desencadeia ...
ainda é uma maneira de reparação. (???????????????)

Psicanálise: resumindo... a pessoa nessa condição... só consegue se livrar do mal estar gerado pelos sentimentos de culpa ajudando os outros, fazendo "por" eles... para se aliviar e se "redimir".

Tema polêmico, já que atravessa e analisa, exatamente, a idéia dos "bonzinhos-queridos-solidários e voluntários tão... desejados e festejados pela mídia do compromisso social.

Numa ótica (e numa ética) que utiliza a complexidade do pensamento e que se envolve com a produção coletiva, inconsciente e desejante (produção de subjetividade), pode se dizer que, para querer ajudar muito alguém, no sentido do texto acima, é preciso ter feito "muita coisa ruim" para se sentir culpado a ponto de necessitar da reparação como modo expiatório da culpa.

Por outro lado, a mesma mídia e as instituições que a sustentam e dão suporte, como, só para citar quatro delas, a religião, a família, a educação e o trabalho, exercem o seu papel de culpabilizadores, ou seja, formadores de sentimentos de culpa... processo esse que se dá mediante, é claro, todo o referencial dos prescritos da moral... noções de certo e errado, por exemplo, fortemente arraigados... geram enormes sentimentos de culpa nos desavisados e inocentes-úteis... para continuar com a propagação desse vírus destruidor da saúde mental... mas muito desejado pelos... donos do poder.

A produção social e institucional da culpa nada tem a ver com genuínos e singulares sentimentos de amor, solidariedade e acolhimento das necessidades do outro. Tem a ver, sim, com o desmedido apelo à resolução dos problemas do outro sem considerar as potências desse outro e a participação ativa que ele pode ter no processo de ... tomada de consciência e na busca de ações... que o ajudem a resolver seus conflitos.

Ora, dessa perspectiva... os sentimentos de culpa e as ações que eles desencadeiam em direção ao outro... nada mais são do que caminhos dirigidos ao próprio umbigo, ou seja... é em si próprio e tão somente em si próprio que se está pensando... quando se quer aliviar dos corrosivos sentimentos de culpa.

O que dizer, então, da crescente demanda de trabalhos voluntários? Os quais cada vez mais as pessoas aderem com ar de satisfação e sentimentos de tornarem-se úteis? Tudo isso sendo apoiado, estimulado e produzido midiaticamente?

Social e individual são imanentes ... e indissociáveis.


19 abril, 2009

Amores: dois tipos na poesia






O verbo amar

Te amei: era de longe que te olhava
e de longe me olhavas vagamente...
Ah, quanta coisa nesse tempo a gente sente,
que a alma da gente faz escrava.

Te amava: como inquieto adolescente,
tremendo ao te enlaçar, e te enlaçava
adivinhando esse mistério ardente
do mundo, em cada beijo que te dava.

Te amo: e ao te amar assim vou conjugando
os tempos todos desse amor, enquanto
segue a vida, vivendo, e eu, vou te amando...

Te amar: é mais que em verbo é a minha lei,
e é por ti que o repito no meu canto:
te amei, te amava, te amo e te amarei!

(JG de Araujo Jorge-Bazar de Ritmos- 1935)




Regulamento

Eu não juro nada
por coisa alguma,
pois que todo caminho é de incerteza.
A ordem se desarruma,
a história se desajeita,
o arranjo troca e vira a mesa.
Tampouco prometo.
Nesse jogo de regras e tratos,
rolam os dados,
mudam os fatos,
num ciclone célere, inclemente.
Só o que posso fazer é me entregar completamente
a toda causa que eu me dedicar,
a cada tempo que eu puder viver,
a cada amor que me fizer amar"

Flora Figueiredo

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Duas poesias sobre amor e amar
Duas vertentes amorosas
Dois paradigmas:
O amor romântico, arrebatador... quase paixão eterna.
O amar sentindo, movimento, entrega... racional(?)

Intensidades diferentes,
quase opostas,
para dar conta desse sentimento...
tão, tão, tão... corriqueiro, comum
e tão...
tão...
inédito!


Memória, saudade, apego e lembrança





Estes são fragmentos de uma conversa no orkut com a amiga... Ana Lia

Saudade é memória "do tido", do que houve... passado.

No entanto, como há uma hibridização e uma sobreposição entre os tempos passado, presente, futuro... o passado volta através da memória e se atualiza.. vira algo no presente... o que importa é o que se faz com isso...

Deixa ficar? reprime? deslocar? projetar? ou seja... o que o ego faz com isso... já que memória é uma função do ego.

O apego me parece ligado ao não deixar ir... o que já foi... reter... segurar teimosamente e obstinadamente... sem resignificar as lembranças que a memória proporciona, ou seja... dar novos sentidos ao passado NO PRESENTE... RE-LER!

Também vejo relação entre amor, saudade e memória... e tempo ... e espaço... não é confusão... é complexidade!

O mago diria: para perguntas simples, respostas simples e, para perguntas complexas, respostas complexas!

O que eu acredito mesmo É: não há fórmulas.

O amor, já desde Freud... é um amar a si também... no outro.... no que dele me faz ver e descobrir sobre mim... mas, ele também assume, o amor, as feições de um deixar de mim para ver,sentir o outro, naquilo que de mim ele difere... amor à diferença... aquilo que é, está... no outro... qualquer outro!

Desapegar-se não vejo como diminuição do amor ou da importância... vejo como... des-apegar... largar, soltar... você pode amar - a vida inteira - e muito, uma pessoa, por exemplo, e ser desapegado do amor em si e da pessoa... há quem chame isso de amor incondicional... (?)

A memória... vem e, com ela, o convite ao deleite do apego ao "tido"... mas, vem também, o convite ao desapego, ou seja, memória de passado que se atualiza mas que é reconhecida como passado... vem vomo convite ao resignificar... leia-se: dar novos e outros sentidos ao vivido!

Well... isso não tem fim!

O mago é um monstro-querido que vira os valores de pernas para o ar e mostra que há caminhos, muitos, mas que à cada um compete escolher, experimentar os seus...

Apesar disso ele fala nas esferas concêntricas e transpostas... unidas por razão, emoção e ação... é esse tripé que ele sugere como O caminho mais viável...

Imagine as implicações disso no cotidiano...
Juntar ao invés de separar...

Fim das guerras, de todas as guerras...

Razão aqui está sinônimo de racionalidade e não de racionalização...
Emoção aqui está como sinônimo de afetos e afecções... e não como sentimentalismo...
Ação aqui está como sinônimo de atitudes baseadas na realidade (que realidade?)... aquela que é intermediada pelo dentro e o fora; pelo "eu e o outro; pela razão e pela emoção... num contínuo movimento que pede...paradas (sujeito COM pausas)!

A pseudovisibilidade e o desejo de imagem



Na pseudovisibilidade dada pelo desejo de imagem
o que conta não é só "parecer-ser", é preciso convencer
-a si próprio - e ao outro: memórias apagadas, lembranças
esquecidas e submissão ao lugar comum.
Um sujeito assim constituído como identidade-máscara-descartável
é ilusão de realidade... de "ser-real".
A resignificação da lembrança... perde espaço!

(De "Tragédias dos modos de subjetivação atuais -
aforismos intelectivos do Mago-mor")