01 novembro, 2010

Sobre a liberdade, por Voltaire, Clarice Lispector e Mireille Havet





"O prazer pela liberdade aumenta
à medida que dela se desfruta."

 François Marie Arouet ('Voltaire') 

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Não aguento muito tempo um sentimento
porque passo a ter angústia
e meu pensamento fica ocupado com o sentimento
e eu me desvencilho dele de qualquer jeito
para ganhar de novo a minha liberdade de espírito.
Sou livre para sentir. 
Quero ser livre para raciocinar.
Aspiro a uma fusão de corpo e alma.
Não consigo compreender para os outros.
Só na desordem de meus sentimentos é que compreendo
para mim mesma
e é tão incompreensível o que eu sinto
que me calo e medito sobre o nada.

( Clarice Lispector )

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Estar à frente (combater), romper, nada admitir, 
destruir e rejeitar tudo o que, mesmo de longe, 
ameace um segundo a independência, 
estas são as minhas leis. 
Não é uma política da conciliação, 
é exatamente uma revolta. Eu não comerei do vosso pão. 
Eu serei inusitada (extravagante) até o fim. 

(Mireille Havet, 1898-1932)


"Aller au-devant, rompre, ne rien admettre, 
détruire et rejeter tout ce qui, même de très loin, 
menace une seconde l'indépendance, voici mes lois. 
Ce n'est pas une politique de conciliation, 
c'est exactement une révolte. Je ne mangerai pas de votre pain. 
Je serai abracadabrante jusqu'au bout.". 

(Mireille Havet, 1898-1932)

Obs:
- aller au-devant: estar à frente (campo de batalha, no tempo, nas ideias); vanguarda.
- abracadabrante: inusitado, inovador, fora da realidade comum; uma ideia abracadabrante, refere-se a algo bizarro, extravagante, irreal, inacreditável, que causa surpresa; também tem o viés mágico da palavra abracadabra. 
(Pelo pouco que sei sobre a vida desta autora, parece-me que ela quer dizer que, embora suas escolhas destoem dos padrões da sociedade, ela seguirá as defendendo até o fim).

Texto, tradução e comentários:
(amavelmente feitos por)
Aline Accorssi




Um comentário:

Jandira disse...

Amigo, Cesar:

Sim...a liberdade é preciosa, custa mesmo muito caro. Temos ou de nos resignarmos a viver sem ela ou de nos decidirmos a pagar o seu preço.
Liberta nossa alma mas implica em grandes responsabilidades para todos nós que estamos em eterna reconstrução e transformação.

"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome."
(Perto do Coração Selvagem)
Clarice Lispector

Beijos
Jan