26 junho, 2009

Amor e fantasia ou, A prazerosa ficção





Já sabemos que o amor comporta fantasia.
Amamos o outro com o que nele depositamos, imaginamos, criamos, inventamos. Tornamo-lo...nosso objeto... (esquecendo) que é um sujeito!

O outro, por si só, não basta!
Ele precisa de nós para existir!
Nós... precisamos... de nós... para o amor por ele... existir.

Nessa dialógica da realidade e da fantasia, do eu e do outro, do espaço e do tempo (cuja percepção se modifica rapidamente!), do corpo e do espírito, do desejo (de um corpo-objeto) e do romantismo (de um objeto - qualquer objeto - tomado como corpo), da semelhança e da diferença (de "mim mesmo" e "de todos os outros", do atual e do virtual-real...

vamos ensaiando tentativas de "ser alguém" para o alguém do outro...

vamos experimentando "estar num agora permanente" que afete o outro de forma a buscar reciprocidade... desse afeto-desejo-amor-paixão-encanto-mais-mil-coisas que sentimos...

Se... se, o irredutível outro não aparecer... pode(re)mos "ser felizes"
Se... se, o irredutível outro aparecer... podemos quebrar a cara (e o coração!)
Se... se, a prazerosa ficção não sucumbir ao irredutível outro...
Se... o irredutível outro aparecer e desmontar essa maquínica toda... podemos, mesmo assim... "jamais ficar curados".

Vivas ao romantismo?
Não!
Vivas ao outro que nos coloca constantemente em cheque...
Seria mesmo ele, o outro, o irredutível outro, quem faz tudo isso?
Claro que sim!
Claro que não!

Também nessa dialógica do sim e do não é que vamos ensaiando maneiras de viver nossas diferenças... do outro e de nós mesmos (quem é esse eu que ama... assim?).

...

E... quando esse outro objeto-sujeito e sujeito-objeto não for... irredutível?
Fim da ficção!

Ah, mas tem uma coisa: sempre há algo de irredutível... no outro!
Senão... como tudo isso aconteceria?

Ainda bem que o cheque... não é (sempre!) cheque-mate.



PRAZEROSA FICÇÃO


Abraço o teu abraço sem senti-lo
Na epiderme... sinto-o na alma...
É o teu amor que vem e me acalma...
Tu feres meu silêncio... sem feri-lo.

Eu beijo o teu beijo sem beijá-lo
Nos lábios, beijo só a sensação
Do teu amor... que bom que é guardá-lo
Inteiro... dentro do meu coração.

E nessa ficção tão prazerosa,
Que cria a emoção mais poderosa
Do verdadeiro amor que se extasia....

Meu coração, em sonhos cor-de-rosa,
Descobre a proteção afetuosa
Do teu amor na minha... fantasia.

Luiz Gilberto de Barros


Um comentário:

Katia disse...

E então... SMAAAAAAAAAACK!!!
E como num passe de mágica, pliiiiiiiiiiiiiiiiiiim: O príncipe vira sapo.
Aí, só mandando-o pro brejo. Hahahahahahahah!!!

Brincadeiras à parte. Quem não passou por isso???? Quem não teve essa visão imatura do amor? Que mulher não esperou que o príncipe viesse salvar a princesa da torre e deixá-la longe das garras da bruxa malvada? Bruxa que é a realidade. Bruxa que é a máscara da ilusão.
E aí, quando o véu da ilusão cai, acaba-se decepcionando. Acaba-se achando que o outro é o culpado do nosso sofrimento, dos nossos erros... Na verdade, somos nós mesmos os criadores deste vitimismo todo.

Tem que se ter maturidade suficiente para ver o outro.Ver como ele realmente é. Com todas as suas limitações. O tal do "Foram felizes para sempre" não existe. A felicidade numa relação depende de N-fatores... além do que, todos nós possuímos altos e baixos... Enfrentamos momentos de profunda tristeza... e outros, de pura alegria.
Desse jeito, com vícios de relacionamentos não construtivos, doentios ou até mesmo de total anulação, não há sonho que possa se tornar realidade! E... estamos aqui para sermos felizes!!!

"A intuição sussurra a verdade! Não somos poeira,
Somos magia.
Feche os olhos e siga sua intuição."

- Richard Back -

Assinado: Eu. Uma romântica com as raízes na terra e o coração OVER THE RAINBOW.