27 junho, 2009

SUTIL INTENÇÃO, ou uma poesia que fala de amor, da própria poesia, da hipocrisia e do silêncio que se cria





SUTIL INTENÇÃO
( Luiz Gilberto de Barros )

Há que haver amor em cada gesto
Para que as almas se completem,
Para que as angústias se aquietem
Na mudez do amor mais inquieto.

Há que haver prazer no que se faça
Para que a vontade se enterneça
E a solidão desapareça
Na sutil presença que abraça.

Há que haver lirismo na poesia
Para que, no cerne da emoção,
Haja mais vontade que paixão,
Haja mais paixão que hipocrisia.

Há que haver palavra na mudez
Porque assim a dor evidencia
Que todo silêncio que se cria
Flui da mais sublime embriaguez.

Há que haver, na pétala da flor,
A essência leve e colorida
Que possa fazer da própria vida
A intenção sutil de todo amor.


Um comentário:

Katia disse...

Deixar o coração falar é o caminho para eliminar a hipocrisia.
Contestando, atrevidamente, Nietzsche que diz:
"Nada mais hipócrita que a eliminação da hipocrisia."

Tão bom falar as coisas do coração, não é?

"Os raciocínios do amor-próprio não gozam do crédito das melhores consequências."

- Camilo Castelo Branco -

Assim penso...

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